L O A D I N G

BONDADE E BELEZA JUNTAS

O Pároco da Freguesia, por zelo e prudência, fez a pequena Lúcia sofrer muito porque lhe pôs a dúvida se as aparições em Fátima seriam “engano do Demônio”. Coube a Jacinta acabar com a incerteza: “Não é o Demônio, não! O Demônio, dizem, que é muito feio e que está debaixo da terra, no inferno; e aquela Senhora é tão bonita! E nós vimo-la subir ao Céu”.

De fato, Maria mostra, em 13 de julho de 1917, a visão do inferno como contrário à beleza. Lúcia o descreve: “Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa”. Quer dizer: um mais feio do que o outro como de resto o pecado pode ser descrito, segundo sua malícia.

A propósito, o papa Bento XVI reafirmou o valor teológico, pastoral e litúrgico do belo em várias homilias e escritos. Fez ecoar seu apreço a Santo Agostinho: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas…” (Confissões X. 27); “Deus Bondade e Beleza, em quem, de que e por quem é bom e belo, tudo que é dotado de bondade e de beleza” (Solilóquio 1).

Na Exortação Sacramento da Caridade, o papa conclui com uma referência a Maria pela via estética. Chama-a com o título que lhe dá a Liturgia: `Tota Pulchra´! Quer dizer: “toda bela e formosa”. Tal beleza significa que nela resplandece a glória de Deus (cf. Sacramentum Caritatis, 96). Trata-se da intimidade de Maria com o Mistério divino expresso na sua existência, sem reservas, dedicada ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo.

O referido papa nos lembra que Maria é mestra no modo de nós cultuarmos a Deus, especialmente na Liturgia Eucarística. Afirma que ela “é o espelho fiel da beleza da liturgia celeste que deve se refletir nas nossas assembleias”, quando nos reunimos para a celebração da Eucaristia. Por ela, nós aprendemos a tornar-nos pessoas “eucarísticas” e, consequentemente, “eclesiais” (Ibidem).

A espiritualidade mariana é muito bonita, em formas e meios de expressão: na Liturgia e na devoção e na vivência. Tudo de bom e de belo que é feito para e com Maria é oferecido a Jesus, por seu intermédio materno. Provém do Divino Amor: o Espírito Santo que habita em nós, desde nosso batismo. Por Ele que procede do Pai, a bondade de nossos afetos se une à beleza de nossos gestos e ações para louvar a Mãe, venerável, e o Filho, adorável.

 No belo cântico do Magnificat (Lc 1,46-55), ela nos faz olhar para os mais humildes e pobres, como sendo os preferidos de Deus na história da salvação. No seu modo de cantar, ela promove em nós a íntima relação entre a bondade e a beleza, a ética e a estética, que salvam o mundo da insensibilidade para com os fracos e frágeis e empobrecidos. Muitos, de seu “vale de lágrimas”, clamam por socorro e consolação à Mãe, Rainha, Auxiliadora e Refúgio.

Em Fátima, ela ensinou-nos a sermos sensíveis à situação dos pecadores que podem se perder para sempre e a sermos solidários na reparação pelas ofensas por eles cometidas contra o que há de mais sagrado. Também ensinou a sermos solidários aos que padeciam e ainda sofreriam os horrores das guerras. É bom e belo pedir pelo dom da paz e esforçar-se e trabalhar, sem descanso, para que ela seja integral e estável. Aliás, diz o profeta: “como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz” (Is 52,7). Beleza e bondade se abraçam em quem a promove.

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