L O A D I N G

A beleza do sacramento da Confissão

“Um dia de madrugada, cedo, sua irmã Teresa vai chamar-me:

– Vem cá depressa. O Francisco está muito mal e diz que te quer dizer uma coisa!

Vesti-me à pressa e lá fui. Pediu à mãe e irmãos que saíssem do quarto, que era segredo o que me queria. Saíram e ele disse-me:

– É que me vou a confessar para comungar e morrer depois.Queria que me dissesses se me viste fazer algum pecado e que fosses perguntar à Jacinta se me viu ela fazer algum.” (Memórias da Irmã Lúcia, pág 162)

O sacramento da Confissão foi instituído por Jesus para apagar os pecados que cometemos. É uma expressão da misericórdia de Deus, que nos quer junto a Ele e a seu imensurável Amor. Mas, para que a Confissão seja efetiva e dê frutos, é preciso, se preparar adequadamente, refletindo sobre tudo o que você tem feito e os pecados que cometeu. É o que a Igreja chama de exame de consciência. À beira da morte, o pequeno Francisco fazia, sem nem ao menos saber, exatamente isso.

“– Desobedeceste algumas vezes a tua mãe, – lhe respondi – quando ela te dizia que te deixasses estar em casa e tu te escapavas para o pé de mim e para te ires esconder.

– É verdade! tenho esse. Agora vai perguntar à Jacinta se ela se lembra de mais algum.

Lá fui, e a Jacinta, depois de pensar um pouco, respondeu-me:

– Olha: diz-lhe que, ainda antes de Nossa Senhora nos aparecer, roubou um tostão ao pai, para comprar o realejo ao José Marto, da Casa Velha; e que, quando os rapazes de Aljustrel atiraram pedras aos de Boleiros, ele também atirou algumas.

Quando lhe dei este recado da Irmã, respondeu:

– Esses já os confessei, mas torno a confessá-los. Se calhar, é por causa destes pecados que eu fiz que Nosso Senhor está tão triste! Mas eu, ainda que não morresse, nunca mais os tornava a fazer. Agora estou arrependido.” (Memórias da Irmã Lúcia, págs 162 e 163)

Eis aí outras duas etapas necessárias deste sacramento: o arrependimento e o propósito. Mesmo com sua alma inocente de criança e com toda a graça derramada sobre ele em função das aparições de Nossa Senhora, Francisco se arrepende de seus erros, lamenta por eles de forma genuína e expressa o desejo de nunca mais tornar a repeti-los.

Quantos de nós conseguem tamanha franqueza no ato da reconciliação? Reconhecer os próprios pecados é, muitas vezes, difícil, pois pressupõe admitir que somos fracos. Mas ainda mais difícil é se comprometer a não mais pecar e efetivar essa promessa. 

Através da confissão, Deus nos estende a Sua mão e mostra, misericordiosamente e com ternura, que nos quer junto a Si, pois Seu amor é mais forte do que o pecado. O perdão é a chance que temos de estarmos em paz conosco, com o Pai e também com toda a Sua Criação. Que possamos sempre fazer deste um momento de entrega verdadeira.

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