Vivendo a experiência de Fátima

Já disse aqui algumas vezes que Fátima é uma experiência. Não se trata somente de uma devoção ou de um santuário a visitar. É algo que deve ser vivido e que provoca uma profunda transformação em quem nela mergulha, assim como aconteceu com os pastorinhos.

As três crianças que receberam as visitas de Nossa Senhora na Cova da Iria tiveram suas vidas completamente transformadas pela experiência de Fátima. O pequeno Francisco, em sua timidez, foi tocado pela mensagem da Virgem Santíssima, deixando até mesmo de brincar para atender ao pedido da Mãe de Deus para que rezasse o terço:

“ (…) desde aí, tomou o costume de se afastar de nós, como que passeando; e se chamava por ele e Ihe perguntava que andava a fazer, levantava o braço e mostrava-me o terço. Se Ihe dizia que viesse brincar, que depois rezava connosco, respondia:

– Depois também rezo. Não te lembras que Nossa Senhora disse que tinha de rezar muitos terços?”(*).

A pequena Jacinta, de apenas sete anos, não parava de se sacrificar pelos pecadores.

“A Jacinta tomou tanto a peito os sacrifícios pela conversão dos pecadores, que não deixava escapar ocasião alguma. Havia umas crianças, filhos de duas famílias da Moita, que andavam pelas portas a pedir. Encontrámo-las, um dia, quando íamos com o nosso rebanho. A Jacinta, ao vê-los, disse-nos:

– Damos a nossa merenda àqueles pobrezinhos, pela conversão dos pecadores?

E correu a levar-lha. Pela tarde, disse-me que tinha fome. Havia ali algumas azinheiras e carvalhos. A bolota estava ainda bastante verde, no entanto disse-lhe que podíamos comer dela. O Francisco subiu a uma azinheira para encher os bolsos, mas a Jacinta lembrou-se que podíamos comer da dos carvalhos, para fazer o sacrifício de comer a amarga. E lá saboreámos, aquela tarde, aquele delicioso manjar! A Jacinta tomou este por um dos seus sacrifícios habituais. Colhia as bolotas dos carvalhos ou a azeitona das oliveiras.

Disse-lhe um dia:

– Jacinta, não comas isso, que amarga muito.

– Pois é por amargar que o como, para converter os pecadores.” (*)

Já Lúcia dedicou toda a sua longa vida a ser instrumento para a propagação do desejo divino de espalhar a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Ela viveu em cada um de seus dias a experiência de Fátima, após ter ouvido da Mãe Santíssima:  “Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar” (*).

A experiência de Fátima é isso: transformar em ação o que Nossa Senhora dos apresenta. É rezar, é estar na Capela do Santíssimo, olhando para Nosso Senhor e pedindo que a mesma luz que Nossa Senhora infundiu no peito dos pastorinhos seja infundinda também em nós. Pedir que, através da oração e dos nossos atos, possamos conhecer melhor a Deus e viver para servi-Lo.

(*) trechos do livro Memórias da Irmã Lúcia.