Primeiro sábado: quando o paciente cuida do médico

Sei que, não tem muito tempo, falei sobre a experiência dos primeiros sábados aqui no site. Mas esse é um tema muito caro a mim e, após passados poucos dias do primeiro sábado deste mês, não consigo evitar voltar a este assunto. Afinal, esta devoção está tão intimamente ligada à mensagem de Fátima que deveria estar impressa em nossas almas.

Imagine chegar a um consultório médico, sentar à sua frente esperando pelo início da consulta e ouvir apenas o seguinte:

– Meu caro paciente, me consulte por favor?

Não parece meio doido? Provavelmente, você pensaria em levantar e rapidamente sair da sala, afinal você não estudou Medicina e não teria nenhuma competência para avaliar a saúde daquele médico.

Mas, quando, no primeiro sábado, fazemos o desagravo a Nossa Senhora, somos o paciente que ouve do médico o pedido por uma consulta. Embora seja nossa mãe, seja a Mãe de Deus, seja coroada no céu e na terra, co-redentora e medianeira de todas as graças, ela está à nossa frente pedindo por ajuda. Ela está rogando para que curemos seu coração ferido!

Acha que seria justo, nesse caso, em vez de reparar o coração da Virgem Santíssima, apresentar apenas os seus problemas e as suas dores? Não seria um tanto egoísta pensar somente em si e nos seus problemas em vez de se concentrar em cuidar do coração Dela, tão machucado???

Um verdadeiro ato de fé requer desapego. No primeiro sábado, é hora de abandonarmos nossos problemas – não importa o tamanho que eles tenham – e parar de olhar o próprio umbigo para entrar de cabeça na tarefa de pensar nas chagas de Nossa Senhora e tirar os espinhos do coração Dela.

O pecado do homem, da humanidade, o meu, o seu pecado agravam o coração de Nossa Mãe Santíssima e nós não podemos, nesse dia, dizer simplesmente “fique aí com sua dor, guarde-a para você, pois preciso que você cuide da minha”. Não! Ao menos no primeiro sábado é preciso dizer “hoje eu esqueço de mim e dos meus problemas, pois eu te amo, minha Mãe, e só quero colocar amor no teu coração”.