O sacramento do Matrimônio

Quando Deus criou o homem, deu a ele uma companheira e nos ensinou: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gn 2, 24). Jesus Cristo retoma este valioso princípio: “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu” (Mc 10, 8-9). Aí estão as bases do sacramento do Matrimônio, um dos sete sacramentos da Igreja Católica.

Segundo o Catecismo Romano, o “Matrimónio é a união conjugal de um homem e uma mulher, entre pessoas legítimas para formarem uma comunidade indivisa de vida” (P.II, cap. 8, n.3). Esta união é naturalmente feita com base no amor: “Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação fundamental e inata de todo o ser humano. Porque o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor (1 Jo 4, 8.16). Tendo-os Deus criado homem e mulher, o amor mútuo dos dois torna-se imagem do amor absoluto e indefectível com que Deus ama o homem” (Catecismo da Igreja Católica, §1604).

Através do matrimônio, o casal recebe a missão de ser sinal do amor de Deus, fazendo de sua dedicação e fidelidade exemplo de Cristo para aqueles que os cercam. Através do casamento, o Senhor, multiplicando seus dons, chama marido e esposa à construção da família, santuário da Vida: “Deus abençoou-os e disse-lhes: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a’” (Gn 1, 28). Assim, através da sua atuação na comunidade e da criação dos filhos, o casal é exemplo de santidade e amor fraterno.

Segundo o Código de Direito Canônico, duas propriedades essenciais caracterizam o matrimônio: a unidade (“já não são dois, mas uma só carne”) e a indissolubilidade (“não separe, pois, o homem o que Deus uniu”). Mas a fidelidade é pilar fundamental e está expressa no sexto mandamento da Lei de Deus: “não cometerás adultério”. Nas palavras do papa Francisco, “em Deus, e só Nele, é possível existir o amor sem reservas nem reticências, a doação completa sem interrupções e a tenacidade de um acolhimento sem medida”.