O Evangelho e a linguagem de hoje

Caros amigos, o início do ano traz sempre consigo o anseio de novos projetos e iniciativas: as famílias começam a preocupar-se com o colégio dos filhos, os jovens com o caminho profissional que seguirão, os trabalhadores com as preocupações normais de seus trabalhos, entre outras coisas. Todos os filhos e filhas de Deus devem preocupar-se também com o empenho em anunciar o Evangelho de Jesus Cristo!

Devemos lembrar que todo discípulo de Jesus Cristo é, por natureza, também missionário. A alegria do Evangelho não é algo que possa ficar confinada somente a um coração, ou a um grupo. Nossos pequenos grupos e comunidades devem ser sempre missionários e formadores de novos grupos.

Sempre existe o perigo de que as iniciativas de nossas comunidades terminem pautadas por uma visão unilateral de pequenos grupos, sem perceber que o mundo em que vivemos é plural. A própria cultura de uma região não pode ser mais considerada de forma homogênea, pois o avanço dos meios de comunicação conseguiu que em praticamente todos os lugares houvesse modos variados de expressões culturais.

A Igreja também é plural. Inquestionavelmente, todos nos encontramos na profissão de fé e na celebração dos sacramentos, que obedecem uma forma que é expressão de unidade e comunhão, porém os modos de viver nossa identidade católica e forma de comunicá-la devem expressar-se com a mesma linguagem cultural plural dos homens e mulheres de hoje.

Ensinou-nos o papa emérito Bento XVI na Exortação Apostólica sobre a Palavra de Deus na missão e na vida da Igreja: “A Palavra de Deus, como aliás a fé cristã, manifesta um caráter profundamente intercultural, capaz de encontrar e fazer encontrar culturas diversas. Neste contexto, compreende-se também o valor da inculturação do Evangelho. A Igreja está firmemente persuadida da capacidade intrínseca que tem a Palavra de Deus de atingir todas as pessoas humanas no contexto cultural onde vivem.” (Verbum Domini, 114).

Nossa missão deve ser fazermo-nos discípulos do único mestre que é o Senhor Jesus Cristo, que assumindo a nossa natureza humana falou-nos do Pai com uma linguagem acessível a todos os povos e culturas.

Terminamos, então, com este questionamento: Estamos todos nós comprometidos com a hora presente? Falamos aos jovens com uma linguagem jovem? Transmitimos a Palavra viva e eterna de Deus com uma linguagem que o mundo compreenda?

Deus abençoe a todos!