O beijo de Jesus no altar

Tem circulado nas redes sociais um texto sobre uma bela história de um coroinha que emociona um sacerdote quando diz que Jesus o beijou no altar da Eucaristia. Intitulado “O beijo de Jesus”, o texto tem sido atribuído ao padre Rubén Pérez Ayala, recentemente falecido na explosão de um prédio em Madri, na Espanha. Embora a história seja real, ela não foi vivida por Pe Rubén, mas por outro sacerdote espanhol, chamado José Rodrigo López Cepeda.

A real história aconteceu há mais de 20 anos, logo depois que José Rodrigo foi ordenado padre e nomeado pároco do Santuário de Santa Orosia, no Pirineu Aragonês, na Espanha. O relato foi publicado em sua página do Facebook.

Como se trata se uma linda e inspiradora história, compartilhamos aqui com vocês:

Ele me beijou!

Quando eu tinha 6 meses de ordenado, meu bispo me enviou a dirigir uma paróquia no Pirineu aragonês. Eu teria que substituir um pároco que estava ali há mais de 30 anos, motivo pelo qual eu não fui aceito pelos moradores do lugar. A tarefa foi árdua, mas fecunda e eu não teria tido tanta fecundidade sem a ajuda de um menino chamado Gabriel. 

Na segunda semana à frente da nova paróquia, conheci um casal jovem com seu pequeno filho especial. Eles me pediram que o aceitasse como coroinha. Pensei em recusar, não por ser uma criança especial, mas por todas as dificuldades que marcavam o início do meu ministério naquele local. Mas não pude dizer não pois, ao perguntá-lo se ele queria ser meu coroinha… ele não me respondeu, mas me abraçou pela cintura. Que forma de me convencer!

Pedi que viesse, no domingo seguinte, 15 minutos antes da Eucarista e, pontualmente, ali estava ele com sua batinazinha vermelha e seu roquete bordado por sua avó para a ocasião. Preciso acrescentar que sua presença me trouxe mais fiéis, pois seus familiares queriam ver sua estreia no papel de coroinha. Eu tinha que preparar tudo para a Eucaristia, não tinha sacristão nem ajudante e, por isso, eu corria de um lado a outro. 

Foi só pouco antes da missa que me dei conta de que Gabriel não sabia como me ajudar na celebração. Pela falta de tempo, me ocorreu dizer-lhe: Gabriel, você tem que fazer tudo o que fizer, está bem? 

O Gabriel é o menino mais obediente do mundo e, quando iniciamos a celebração e eu beijei o altar, o pequeno ficou agarrado a ele. Na homilia, vi que os fiéis sorriam quando eu falava com eles, o que alegrou o meu jovem coração sacerdotal. Mas, logo percebi que não olhavam para mim, mas para o Gabriel, que me seguia tentando imitar meus movimentos. Enfim, um dos detalhes daquela primeira missa com meu novo coroinha. 

Ao terminar a celebração, expliquei a ele o que teria que fazer e, entre outras coisas, lhe disse que apenas eu poderia beijar o Altar, explicando-lhe que, como o sacerdote se une a Cristo com este beijo. Ele me olhava com seus grandes olhos questionadores sem conseguir compreender totalmente minha explicação e, sem calar seus pensamentos, me disse: “ah, eu também quero beijá-lo”. Tornei a explicar a ele porque isso não era possível e, ao final, lhe disse que eu o beijaria por nós dois. Ele pareceu ficar satisfeito. 

Mas, no domingo seguinte, ao começar a celebração e beijar o altar, vi como Gabriel colocou a bochecha nele e não saía do altar com um grande sorriso no rostinho. Eu tive que dizer a ele que parasse de fazer isso. No final da Missa, lembrei-o: “Gabriel, eu disse que o beijaria por nós dois.” Ele respondeu: “Padre, eu não o beijei. Ele me beijou …”. Sério, eu falei: “Gabriel, não brinque comigo…” Ele respondeu: “É verdade, ele me encheu de beijos!!”. A maneira como ele me contou isso me encheu de inveja boa. 

Ao fechar o templo e me despedir de meus fiéis, aproximei-me do altar e coloquei minha bochecha sobre ele, pedindo: “Senhor… beija-me como o fez com o Gabriel”. Aquela criança me lembrou que a obra não era minha e que conquistar o coração daquelas pessoas só poderia ser a partir daquela doce intimidade com o Único Sacerdote, Cristo. Desde então, meu beijo no altar é duplo, porque, sempre após beijá-lo, coloco minha bochecha para receber seu beijo. Obrigado, Gabriel! 

Ninguém dá o que não tem. Queridos padres, encher-nos do Mistério de Deus é uma tarefa cotidiana. “Antes Contemplativos e, logo, homens de ação”. Palavras do Servo de Deus Pe Feliz de Jesús Rougier, que se aplicam a todos os que querem transmitir a Fé, a Esperança e o Amor de Cristo. Aproximar os outros do Mistério da Salvação nos chama a viver diariamente nosso próprio encontro, e, com meu pequeno coroinha e mestre Gabriel, aprendi que, antes de beijar o altar de Cristo, tenho que ser beijado por Ele!