Penitências pela salvação das almas

Embora a solidão humana que ela vivia fosse enorme, Lúcia encontrava apoio na própria Virgem, que continuava a lhe aparecer. Era na mãe de Deus que ela depositava suas angústias e dela que tirava forças para seguir em frente.

Essa história está no livro Fátima, que eu e Kenya publicamos em parceria com a Globo Livros. Já tem o seu? Está em livrarias de todo o país e, na internet, pode ser encontrado AQUI

Dentre os sacrifícios que Lúcia, Jacinta e Francisco se impuseram estava levar atada na cintura uma corda grossa e bruta:

“Passados alguns dias, íamos com as nossas ovelhinhas por um caminho, no qual encontrei um bocado duma corda dum carro. Peguei nela e, brincando, atei-a a um braço. Não tardei a notar que a corda me magoava. Disse, então, para meus primos:

– Olhem: isto faz doer. Podíamos atá-la à cinta e oferecer a Deus este sacrifício.

As pobres crianças aceitaram logo a minha ideia e tratámos, em seguida, de a dividir entre os três. A esquina duma pedra, batendo em cima doutra, foi a nossa faca. Seja pela grossura e aspereza da corda, seja porque às vezes a apertássemos demasiado, este instrumento fazia-nos por vezes sofrer horrivelmente.”, contou Irmã Lúcia em seu livro de memórias (pág 92).

A obstinação daquelas crianças em sofrer a fim de salvar as almas dos pecadores era inesperada e até comovente. Embora tão jovens, não se furtavam da dor e da agonia:

“A Jacinta deixava às vezes cair algumas lágrimas com a força do incómodo que Ihe causava; e, dizendo-lhe eu, algumas vezes, para a tirar, respondia:

– Não! Quero oferecer este sacrifício a Nosso Senhor, em reparação e pela conversão dos pecadores.” (pág 92)

Será que nós nos permitimos fazer tantas penitências pela salvação dos outros? Será que aceitamos sofrer pelo bem ou pela salvação de desconhecidos, mesmo que tal mortificação seja mais leve, sem tanto esforço físico? Será que nos privamos de algo de que gostamos para atender ao pedido de Nossa Senhora?

O comportamento de Jacinta, Francisco e Lúcia – três meras crianças – nos mostram o poder e a força de Nossa Senhora. Quem com Ela esteve e sentiu toda a Sua luz não tem como se negar a desprender-se de si e doar-se aos outros. Seja através da oração ou da penitência, seja no silêncio ou na ação, todos somos convidados a atender ao chamado da Virgem pela salvação das almas.