O que são abusos litúrgicos?

A Liturgia é o conjunto dos elementos e práticas instituídos pela Igreja para honrar a Santíssima Trindade e celebrar os santos mistérios. Segundo o Concílio Vaticano II, ela funciona como um fio condutor, que ordena qualquer ação religiosa: “Toda celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo e do seu corpo, que é a Igreja, é ação sacra por excelência” (Sacrosanctum concilium, n.7).

Mas nem sempre as normas e os ritos litúrgicos são cumpridos. Essas infrações, que podem acontecer esporádica ou sistematicamente, são conhecidas como abusos litúrgicos. Muitas vezes ele é tão comum e difundido que a assembleia acredita ser normal ou até mesmo que faça parte legitimamente da Liturgia.

Separamos hoje uma lista dos abusos litúrgicos mais comuns, para ajudar você a evitá-los em sua comunidade:

Convidar a assembleia para rezar orações que são próprias do sacerdote, como a Doxologia (“Por Cristo, com Cristo e em Cristo”), a Oração da Paz e a Oração Eucarística. A participação dos fiéis na Missa é muito importante, mas há momentos próprios para isso.

Não vestir os paramentos litúrgicos para celebrar a Eucaristia.

Modificar textos litúrgicos. Não se pode acrescentar palavras ou orações àquilo que está previsto no Missal Romano.

Celebrar a Eucaristia sem usar os livros sagrados, incluindo o Missal Romano. A substituição do Missal por um folheto só é aceito em casos extremos ou situações precárias.

Celebrar missas temáticas ou inculturadas, que incorporam elementos culturais regionais, como missa sertanejas ou árabes, por exemplo. Elas não estão previstas no Cânon Romano.

Confiar a homilia a leigos ou seminaristas. A homilia deve ser feita preferencialmente pelo presidente da celebração ou, alternativamente, por um outro sacerdote ou diácono.

Aproveitar a homilia para falar de temas que não têm a ver com as leituras.

Pedir que os ministros extraordinários da distribuição da Sagrada Comunhão segurem a hóstia consagrada na hora da Oração do Cordeiro.

Fracionar o pão em momento inadequado, como a hora da Consagração.

Negar a Eucaristia a fiel que queira recebê-la na boca ou de joelhos.

Trocar as alfaias ou os vasos sagrados por outros objetos.

Permitir a apresentação de espetáculos durante a Santa Missa, assim como palmas, danças ou coreografias.