Vocação e “Vontade de Deus”

Caros irmãos, todos os cristãos são “vocacionados”, ou seja, são chamados por Deus para uma missão específica no mundo, no meio de seus irmãos, os homens. E o requisito primeiro para o cumprimento desta missão é a escuta da voz de Deus que nos fala em sua palavra, pelos pastores da Igreja e nos acontecimentos do dia a dia, e, em segundo lugar, a coragem para dizer sim.

Quando permitimos a Deus o acesso em nossas vidas, seus planos sempre alargam nossos horizontes de futuro. Seu amor não nos deixa tranquilos enquanto não iniciarmos um autêntico processo de reforma interior: reforma dos próprios pensamentos, sentimentos, vontades… até o ponto de sinceramente reconhecermos que a vontade de Deus é a única capaz de salvar-nos de uma vida sem sentido guiada somente por nossas vontades. Quando um cristão, jovem ou mais maduro, coloca-se sinceramente diante de Deus, que chama, depara-se com um maravilhoso mundo de expectativas e realizações.

A liberdade que tantos buscam com afinco não consiste exatamente em “fazer o que se quer”, este é o princípio do caos e leva ao embrutecimento do coração e esvaziamento do sentido da vida, mas a liberdade está sempre unida à verdade, ao bem, ao amor. A liberdade só é autêntica quando conflui para o bem do homem todo e de todos os homens. Deixar-se comprometer, assumir e entregar a vida por amor são autênticos atos humanos livres.

Muitos são os chamados por Deus, mas por um desejo desordenado de “poupar-se” acabam atrasando sua decisão e perdendo-se. Cumpre-se a verdade anunciada por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. De fato, que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? Ou que poderá alguém dar em troca da própria vida?” (Mt 16, 25-26)

Nossa existência neste mundo é única, sem direito a reprise. Cada dia pode albergar o minuto final e é importante que nos questionemos se estamos fazendo os movimentos certos. Entregar a vida em cada ato, consciente de que estamos no caminho certo deve ser a preocupação de todos nós.

Vejo com alegria que o evangelho continua, apoiado na fidelidade de Deus, contagiando os corações de muitos jovens pelo mundo para que abracem, sem reservas, a vontade de Deus: Muitos são os que se entregam à missão, ao sacerdócio, à vida religiosa, ao amor conjugal e educação cristã dos filhos, entre outras tarefas cotidianas e igualmente heróicas; e peço a Deus que este número cresça ainda mais.