Um pouco da história das imagens de Fátima

Nem todo mundo sabe, mas a iconografia de Fátima possui quatro subtipos – ou quatro imagens que retratam a Virgem Santíssima em diferentes momentos das aparições na Cova da Iria. São elas: a imagem da Capela das Aparições de Portugal, a imagem peregrina (COLOCAR LINK PARA TEXTO DO DIA 07/01), a de 13 de outubro e a do Coração Imaculado de Maria.

Em todas, Nossa Senhora aparece vestida de branco, mas cada uma delas guarda uma particularidade. Hoje, gostaria hoje de falar um pouco mais sobre as duas primeiras.

Em 1919, dois anos após os acontecimentos de Fátima, Gilberto Fernandes dos Santos, fiel católico oriundo da cidade de Torres Novas, encomendou uma escultura da Virgem de Fátima à Casa Fânzeres, de Braga. A imagem, esculpida em cedro brasileiro pelo santeiro José Ferreira Thedim, tem 110 centímetros de altura e foi colocada no pequeno templo da Cova da Iria, onde anteriormente havia apenas um crucifixo. Todo o trabalho foi realizado seguindo as descrições da pastorinha Lúcia que lhe foram encaminhadas por intermediários.

A imagem foi produzida a partir de um “modelo” de uma imagem barroca de Nossa Senhora da Lapa. O escultor, um dos melhores de seu tempo, fez adaptações a fim de torná-la o mais fiel possível às descrições da vidente. A escultura foi benzida na Igreja Paroquial de Fátima no dia 13 de maio de 1920 e entronizada na Capelinha das Aparições a 13 de junho daquele mesmo ano.

Embora satisfeita com a primeira imagem, Lúcia observou que ela e outras imagens que a reproduziam tinham alguns pormenores que não se adequavam ao que tinha visto nas aparições. Em carta a Dom José Alves Correia, datada de 1937, a religiosa diz: “Nas estampas de Nossa Senhora que tenho visto, parece ter dois mantos; parece-me que se eu soubesse pintar, ainda que não seria capaz de pinta-la como Ela é, porque sei que isso é impossível, assim como impossível me é dizê-lo ou descrevê-lo, no entanto para fazer a pintura o mais parecida possível poria somente uma túnica o mais simples e branca possível e o manto caindo desde a cabeça até o fundo da túnica, e como não poderia pintar a luz e a beleza que a adornava, suprimia todos os enfeites á excessão d’um fiinho dourado à volta do manto. Este sobressaía como se fosse um raio de sol brilhando mais intensamente. A comparação fica muito aquém da realidade, mas é o melhor que me sei explicar”*.

Quando se pensou em levar a imagem de Nossa Senhora de Fátima a peregrinar pela Europa, promoveram-se adaptações na imagem original que deram origem à conhecida imagem peregrina. Seguindo rigorsamente as orientações da irmã Lúcia, foram retiradas as sandálias e modificadas as mangas e os cabelos. Também foram estreitados os ombros da escultura e acrescentou-se um fio rematado por uma bola que parece simbolizar o mundo.

A primeira Imagem da Virgem Peregrina de Fátima foi coroada solenemente pelo Arcebispo de Évora no dia 13 de Maio de 1947. Depois de percorrer diversos países, a Imagem foi entronizada, no dia 8 de Dezembro de 2003, solenidade da Imaculada Conceição, na Basílica do Santuário de Fátima. Várias réplicas foram então feitas para que a mensagem e o amor de Fátima pudessem seguir percorrendo o mundo.

* Carta de Maria Lúcia de Jesus, r. S. D., para D. José Alves Correia da Silva, datada de Tui, de 5 de Dezembro de 1937, p. 2-4 (Arquivo Episcopal de Leiria. Dossiê Fátima, B1-46, 1937.12.05. doc. 2585.1)

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