Os sons do silêncio

Silêncio não é a ausência completa de sons, mas a quietude interna que nos permite ouvir com atenção tudo o que está ao nosso redor. No mundo de hoje, com tantos estímulos, tantas tarefas sendo feitas simultaneamente e tanta ansiedade, é dificílimo parar para apreciar o nosso próprio silêncio.

O barulho do mundo e do nosso próprio interior nos deixam surdos para aquilo que realmente precisamos ouvir. É quando silenciamos a voz e o coração que conseguimos prestar atenção nos outros e nas coisas de Deus.

É a chance de despojar-se de si mesmo para ouvir (e prestar atenção) as novidades que os parentes têm a contar; os medos e angústias dos amigos; o canto de um pássaro; os sons das folhas caindo das árvores no outono; o barulho revolto de uma tempestade; um apaixonado “eu te amo”; o som da água caindo do chuveiro enquanto toma banho; o ruído dos carros – menos frequente nessa quarentena – passando pela rua, junto à janela; o andar de um idoso, arrastando os pés; uma leitura bíblica feita em voz alta. Pequenos sons que nos dão a dimensão da imensidão do amor de Deus por nós.

É também nesse silêncio contemplativo que conseguimos “enxergar” o que Deus quer de nós. Conseguimos perceber as sutilezas das mensagens que Ele nos apresenta todo dia, nos pequenos detalhes do nosso cotidiano. Na oração concentrada, meditativa, podemos sentir a paz calorosa da Voz do Pai.

É a chance de vivermos com plenitude o grande mistério divino. O silêncio é repleto de sons – os sons de Deus!