O dia 13 em que não houve aparição

Diferentemente das aparições anteriores, que ocorreram religiosamente no dia 13 de cada mês, no dia 13 de agosto de 1917 os pastorinhos não tiveram o encontro com Nossa Senhora que tanto ansiavam. Uma multidão já se encontrava na Cova da Iria, na esperança de vislumbrar a Senhora de Branco, mas acontecimentos impiedosos marcaram o rumo daquela data.

Era ainda início da manhã quando um oficial de Justiça correu às casas de Lúcia, Jacinta e Francisco. Tinha ordem para levá-los à casa do prior de Fátima, de onde seguiram para a cadeia de Vila Nova de Ourém. Não havia contra eles nenhuma acusação formal, mas, ainda assim, estavam sendo detidos, para serem submetidos a um cruel interrogatório. De forma inescrupulosa, sem considerar que eram apenas três crianças, as autoridades os pressionaram com torturas psicológicas para que revelassem o segredo de Nossa Senhora de Fátima.

A pouca idade não os apequenou naquela situação. O medo foi transformado pela fé. Ali, na cadeia, rezaram o terço e ofereceram seu sofrimento pela conversão dos pecadores e pela reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Nem a ameaça de que seriam queimados vivos os intimidou. Eles seguiam fiéis na promessa de guardar a verdade.

Enquanto os pequenos eram maltratados e inquiridos, os fiéis mantiveram-se na Cova da Iria. Muitos contaram que ouviram o estrondo que caracterizava as aparições de Nossa Senhora, no horário e no exato local onde a Virgem tinha aparecido nos meses anteriores. A Mãe Santíssima não foi vista, mas os presentes observaram uma espécie de fumaça em cima da já famosa carrasqueira.

Aos pastorinhos, Ela não decepcionou. Voltou a aparecer aos três no dia 19 daquele mês, poucos depois que de eles terem deixado a cadeia de Vila Nova de Ourém. Mas essa é história para um outro dia.