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Maria, modelo de mulher do Gênese ao Apocalipse

Maria Santíssima, nossa mãe, é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo (cfr. LG, 63). Nela a Igreja contempla com grande esperança o termo de todos os seus esforços, aquela perfeição sem mancha e nem ruga que lhe é própria (cfr. Redemptoris Mater, 6). A mulher, que aparece no Gênesis (cap. 3) e no Apocalipse (cap. 12), apontam para a Igreja, enquanto esposa do Cordeiro (cfr. Ap 21,9-27) e objeto da predileção divina, que tem em Maria Santíssima sua plenitude consumada.

No princípio, quando o primitivo casal caiu, Deus, longe de condenar definitivamente a humanidade, lhe abriu um novo caminho de bem-aventurança, marcado pelo esforço e pelo sofrimento, mas, sobretudo, sustentado pela promessa: “Porei inimizade entre ti (a serpente) e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. (Gn 3, 15)

Seguindo os textos originais, a descendência da mulher é o sujeito que ferirá a cabeça da serpente, enquanto que, numa simetria literária, a serpente lhe ferirá o calcanhar. Declara-se com isso a luta entre a humanidade e o antigo inimigo, que se desenrola na história da Igreja e no mundo e que tem o fim certo do triunfo da descendência da mulher. Isto evidencia-se porque, estudando a imagem proposta, a cabeça é fisiologicamente mais importante para a manutenção da vida do que o calcanhar.

Esta batalha que se perpetua na história de nosso mundo também aparece no capítulo 12 do livro do Apocalipse, onde o dragão quer devorar a descendência da mulher, figura da Igreja que “em meio as perseguições do mundo e as consolações de Deus avança peregrina… fortalecida pela força do Senhor ressuscitado a fim de vencer pela paciência e pela caridade suas aflições e dificuldades tanto internas quanto externas, para poder revelar ao mundo o mistério d’Ele, embora entre sombras, porém com fidelidade até que no fim seja manifestada em plena luz” (LG 8).

Ferida em seu calcanhar pelo pecado de seus membros, a Igreja continua caminhando na história e nem por isto deixa de ser pura e santa, pois é “simultaneamente santa e sempre na necessidade de purificar-se…” (LG 8). Maria, intimamente unida ao novo Adão na luta contra o inimigo infernal, e por isso também unida à sua vitória (cf. Munificentissimus Deus, 39), é perfeita figura do triunfo da Igreja. Assim, o caminho percorrido por Nossa Senhora é também o caminho a ser percorrido por nós, para que, com ela, alcancemos também a glorificação querida por Deus.