O jeito manso e alegre do pastorinho Francisco

Quem nos acompanha já conhece o menino Francisco, um dos três pastorinhos que testemunharam as aparições de Nossa Senhora em Fátima, no ano de 1917. Nascido em 1908 em um pequeno lugarejo português, ele era discreto, muito reservado e bastante calado. Não falava de si nem costumava falar dos outros.

Francisco tinha grande sensibilidade para perceber quando os outros precisavam de ajuda e se colocava rapidamente a serviço das pessoas, sem esperar que o pedissem. Como era comum a meninos de sua idade, era um pouco travesso e gostava de pregar peças nos irmãos. Mesmo em seu perfil contido, o rapaz emanava uma alegria. Gostava de tocar sua pequena flauta transversal para que os outros dançassem. Ele próprio não era chegado em dança.

O pastorinho não aprendeu a ler nem a escrever. Na época das aparições, existia uma escola para rapazes em Fátima, mas, como o ensino não era obrigatório, ele não foi matriculado. O governo português, naquele período, coibia o catolicismo no país. Seguindo essa tendência, muitos professores faziam abertamente críticas duras à Igreja, o que fez com que diversas famílias católicas afastassem os filhos da escola. E assim aconteceu com Francisco, que acabou recebendo uma educação bastante rudimentar.

A catequese ele aprendeu com a mãe. Seus pais eram bastante firmes na formação moral
de todos os filhos tanto por meio de palavras quanto dando eles próprios o bom exemplo. Francisco foi criado de forma disciplinada, mas também carinhosa.

O traço mais marcante de seu temperamento era o jeito calmo e pacífico. Era o tipo de menino que preferia ceder a ter que brigar por algo. Certo dia, chegou com um lenço pintado com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, que havia acabado de ganhar. Após mostrá-lo com grande alegria para as crianças da vizinhança, o lenço foi passado de mão em mão e em poucos instantes desapareceu, sendo encontrado um tempo depois no bolso de um dos meninos. Quando Francisco tentou pegar seu lenço de volta, o garoto insistiu que, na verdade, aquele objeto lhe pertencia, e Francisco simplesmente disse: “Deixa-o lá! A mim que me importa o lenço?”.

Nos jogos, poucas crianças gostavam de brincar com ele, porque perdia quase sempre, mostrando uma atitude apática. Não fazia questão de ganhar, pois preferia não se indispor com os outros.

Essas e outras curiosidades eu e minha esposa, Kenya, contamos em Fátima, publicado em parceria com a Globo Livros. Você já tem o seu? Está disponível na internet e em livrarias de todo o país.