Santa ou pecadora?

Caros leitores, percebemos que nos meios de comunicação e mesmo em alguns setores da Igreja, são muitas as vozes que anunciam uma “Igreja pecadora”. Fato que contradiz as conhecidas quatro notas da Igreja que são: una, santa, católica e apostólica.

A partir do exposto acima, ouso fazer o seguinte questionamento: É possível atribuir à Igreja o qualificativo de “pecadora” sem violar a verdade de Deus, que a fundou? E, por outro lado, é possível considerá-la “santa” sem sermos desmentidos pela história dos homens?

O primeiro que precisa ser dito é que a Igreja não é uma simples invenção humana, mas nasce do desejo expresso de Jesus Cristo (cf. Mt 16,16-19). Deus, que fundou a Igreja, não pode ser culpado de uma obra pecadora.

Quando se acusa a Igreja de pecadora sempre se apontam fatos históricos: os chamados erros do passado. Se todas as coisas saem puras das mãos de Deus, algo parece que está errado… É verdade. Algo está errado. Mas não na Igreja.

Sabemos que há uma tendência desordenada nos filhos de Deus, que, mesmo depois do batismo continuam afastando-se de Deus por causa dos seus pecados pessoais: são as marcas do Pecado Original. Entretanto, sempre que os cristãos pecam não se afastam só de Deus, também se distanciam da comunhão da Igreja. É verdade também que os membros da Igreja pecam, mas somente enquanto traem a Igreja: a Igreja não é, portanto, sem pecadores, mas sem pecado.

O pecado aparece mais do que a virtude porque escandaliza, indigna, mancha, fere… contudo, não se entenderia o mundo moderno sem os muitos benefícios que nos legaram os filhos da Igreja. Se pesquisamos a história das importantes instituições, em sua base e conservação quase sempre encontraremos o trabalho silencioso e atento dos cristãos. Assim ocorre com os hospitais, as bibliotecas, as escolas e universidades, as técnicas agrícolas, os asilos e orfanatos, entre outros.

Santo Ambrósio, um importante Padre da Igreja, certa vez chamou a Igreja de “casta prostituta”. Esta frase instigou muitos teólogos modernos a chamá-la de “santa e pecadora”, entretanto, o santo diz em seu texto que a Igreja é casta, porque não se contamina com os que a freqüentam; e é prostituta, porque não nega a ninguém seus bens.

Quando olhamos para um fragmento descontextualizado, podemos nos deter nas imperfeições, entretanto ao perceber o sentido, ou seja, a Igreja dentro da obra salvadora de Cristo, percebemos então sua beleza. Porém, temos que reconhecer que só percebe a beleza que Deus quer dar a sua Igreja quem a vê com olhos de filhos. Sejamos bons filhos da Igreja.