Papa Francisco dá bênção Urbi et Orbi

Hoje, na cidade de Roma, às 18:00 (às 14:00, horário de Brasília), o Santo Padre, o Papa Francisco, dará a Benção Urbi et Orbi, ou seja, à cidade de Roma e ao mundo, concedendo aos fiéis a Indulgência Plenária. Disse o Papa:

“Presidirei um momento de oração no átrio da Basílica de São Pedro. Com a Praça vazia. Desde já, convido todos a participarem espiritualmente através dos meios de comunicação. Ouviremos a Palavra de Deus, elevaremos a nossa súplica, adoraremos o Santíssimo Sacramento, com o qual, ao término, darei a Bênção Urbi et Orbi à qual será unida a possibilidade de receber indulgência plenária”.

Como bem podemos supor, a Benção Urbi et Orbi a ser conferida por Sua Santidade tem a sua motivação na pandemia do Coronavírus, que está a assolar o mundo. O Papa explicou a sua motivação com as seguintes palavras:

“Queremos responder à pandemia do vírus com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura. Permaneçamos unidos. Façamos com que as pessoas mais sozinhas e em maiores provações sintam a nossa proximidade”.

Porém, é inegável que algumas dúvidas possam surgir entre nós: O que significa a Benção Urbi et Orbi? O que é a Indulgência Plenária?
Via de regra, a Benção Urbi et Orbi é concedida por ocasião do Natal, da Páscoa e da eleição de um novo Papa. Por isso, a Benção a ser conferida hoje possuir um caráter extraordinário. Nessa Benção, o Papa invoca sobre o Mundo a benção de Deus Todo Poderoso, suplicando o seu penhor e proteção a todos os povos e nações.
Na Benção Urbi et Orbi há a possibilidade da recepção de indulgências. No caso da Benção de hoje, será concedida a Indulgência Plenária (do latim “para ser gentil”), que consiste na remissão da pena temporal devida, para a justiça de Deus, pelos pecados que foram perdoados, isto é, do mal provocado em decorrência do pecado cometido e já absolvido por meio da absolvição sacramental. É importante sublinhar que a remissão das penas temporais só pode ser exercida pela Igreja no exercício do Poder das Chaves, conferido a Ela por Seu fundador, o Cristo Senhor. No número 1472 do Catecismo da Igreja Católica se encontra a seguinte afirmação:

“Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; esta privação se chama “pena eterna” do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado “purgatório”. Esta purificação liberta da chamada “pena temporal” do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma consequência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena”.

Ainda, no que concerne à Indulgência Plenária, cabe destacar que embora no Sacramento da Confissão a culpabilidade do pecado seja perdoada, livrando-nos da condenação ao inferno, a pena como consequência do pecado permanece, e tal exigência, ou seja, a pena, deve ser cumprida nesta vida ou depois da morte. Nesse caso, no Purgatório. A indulgência Plenária tem a faculdade de libertar a alma do Purgatório. Sobre isso, no número 1498 do Catecismo da Igreja Católica se afirma o seguinte:

“Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório a remissão das penas temporais, consequências dos pecados”.

Para a Benção de hoje, a Penitenciaria Apostólica estabeleceu as seguintes condições:

1) Concede-se indulgência plenária aos fiéis afetados pelo coronavírus, submetidos ao regime de quarentena por ordem da autoridade sanitária em hospitais ou em suas próprias casas se, com ânimo desapegado de qualquer pecado, se unirem espiritualmente através dos meios de comunicação à celebração da Santa Missa, à récita do Santo Rosário, à piedosa prática da Via Crucis ou a outras formas de devoção; ou se ao menos recitarem o Credo, o Pai Nosso e uma invocação piedosa à bem-aventurada Virgem Maria, oferecendo essa provação com espírito de fé em Deus e de caridade para com os irmãos, com a vontade de cumprir as condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre) assim que lhes seja possível;
2) Os profissionais de saúde, familiares e tantos outros que, a exemplo do bom samaritano, expondo-se ao risco de contágio, assistem os infectados pelo coronavírus de acordo com as palavras do divino Redentor: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13), lucram o mesmo dom da indulgência plenária, sob as mesmas condições;
3) A Igreja reza pelos que se encontram na impossibilidade de receber o sacramento da Unção dos Enfermos e do Viático, confiando à Divina Misericórdia todos e cada um deles, em virtude da comunhão dos santos; e concede aos fiéis a indulgência plenária no momento da morte, desde que se esteja devidamente disposto e se tenha recitado habitualmente durante a vida alguma oração (neste caso, a Igreja supre as três condições habituais necessárias). Para alcançar essa indulgência, recomenda-se o uso do crucifixo ou da cruz (cf. Enchiridion indulgentiarum, n. 12);

Na Capela das Aparições, no Santuário de Fátima, no Rio de Janeiro, como forma de atendermos os requisitos para a obtenção da Indulgência , será transmitida hoje, as 16:00, a Adoração ao Santíssimo Sacramento e, logo após, a Via-Sacra. A Transmissão poderá ser acompanhada pelo site tardecommaria.com.br e pelo Facebook no endereço facebook.com/somostardecommaria.
Peçamos à Nossa Senhora de Fátima, Mãe de Deus e nossa, que venha em auxílio da humanidade que sofre, livrando-nos da pandemia e obtendo para nós o que se faz necessário para a nossa salvação e santificação.

“Não desanimes, eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus”.
(Memórias da Irmã Lúcia, 83)

Padre Marcos Paulo Galvão da Silva