Silenciar para ouvir com o coração

Neste mundo acelerado e ocupado, nem sempre conseguimos ouvir o outro. Às vezes nos falta tempo; às vezes, calma; em outras, falta concentração. Aposto que você já deixou seu marido falar sem ouvir uma palavra sequer do que ele dizia, mesmo olhando para ele. Tenho certeza de que você, ao menos uma vez, completou as frases de outra pessoa. Ou que você não conseguiu esperar seu filho terminar a história e saiu da sala antes do final.

Essas reações têm sido cada vez mais comuns, mas isso é uma pena. A escuta é uma graça. Primeiro, porque ela nos enriquece. Quando ouvimos o outro, aprendemos muito. Ganhamos conhecimento sobre assuntos novos, temos acesso a informações originais. Descobrimos novidades sobre a personalidade das outras pessoas, passamos a conhecer melhor aqueles que convivem conosco. Aprendemos sobre sentimentos e comportamentos.

Quando paramos para escutar o que o outro tem a nos dizer, muitas vezes escutamos nele a voz de Deus! Uma voz que nos conta maravilhas, que nos anuncia esperança, que nos traz consolo ou que nos revela verdades. Preste bastante atenção, pois uma pequena frase ou uma breve palavra podem trazer um recado importante do Pai.

Além disso, na escuta exercitamos a gentileza e a empatia. Quando nos colocamos a ouvir atentamente o que o outro diz, estamos disponibilizando a ele dois bens muito preciosos: nosso tempo e nossa atenção. Para ouvir verdadeiramente, é necessário doar-se inteiro àquele momento e àquela pessoa. A verdadeira escuta é tão difícil como a oração: é necessário muito amor, empenho e dedicação. É preciso silenciar internamente para que o coração, a alma e o cérebro estejam alertas e receptivos.

Que tal, na sua próxima conversa, seja em casa, no trabalho ou até com estranhos, praticar a escuta plena? Tenho certeza que valerá a experiência!