Enfim o sonho se realiza: Lúcia entrada para o Carmelo

Na semana passada, contei a vocês como ocorreu a entrada de irmã Lúcia para a vida religiosa. No entanto, entrar para a Congregação das Doroteias não era exatamente o que tocava o coração da vidente. O que ela desejava mesmo era se tornar carmelita. Este sonho demorou muito a realizar-se, mas começou a tomar fora com a promulgação da nova constituição portuguesa, em 1933.

A carta restaurou a liberdade religiosa no país e, assim, diversas instituições puderam gradualmente retomar seu curso em Portugal, entre elas o Carmelo. Mas ainda foram necessários 15 anos para que Lúcia pudesse, finalmente, ser transferida para o Carmelo de Coimbra. A chegada ao convento foi um lindo presente de aniversário, pois aconteceu exatamente no dia de seu nascimento, uma Quinta-feira Santa.

Como é de costume modificar os nomes daqueles que ingressam nas ordens religiosas, a então Maria das Dores passou a se chamar irmã Maria Lúcia de Jesus do Coração Imaculado. Assim que foi conhecer sua cela — o pequeno quarto típico dos mosteiros e conventos —, Lúcia viu um quadrinho preso no alto da porta onde estava escrito: “O meu Imaculado Coração será o teu refúgio”.

A cela era diminuta, mas contava com uma ampla janela, por onde entrava muito sol e havia uma bela vista para o jardim localizado no meio do claustro. Lá dentro, como móveis apenas uma cama, um banquinho e uma pequena estante. Em uma das paredes, havia um quadrinho de Nossa Senhora e uma cruz vazia, que lembrava às irmãs carmelitas que as orações devem ser constantes. As religiosas que com ela conviveram contavam que sua cela tinha algo de especial, que podia ser percebido por todos que passavam ali por perto.

Ao longo dos 57 anos que passou no Carmelo, a vida de Lúcia foi marcada pela simplicidade e pela modéstia. Passava a maior parte do tempo recolhida em oração ou executando trabalhos cotidianos para a manutenção do convento. Era também muito alegre e comunicativa nos momentos de convívio, transparecendo sempre a normalidade e a calma próprias de uma vida feliz e tranquila. No novo convento, ela continuou a ter vários encontros com Nossa Senhora, mas nenhum deles foi registrado por por escrito.

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