O início de um caminho rumo ao desconhecido

Com a morte dos primos Jacinta e Francisco, a jovem Lúcia tornou-se a única testemunha das aparições e, com isso, a única a ser sabatinada. Em vez de diminuírem, os interrogatórios só aumentavam, assim como a quantidade de pessoas que a inquiriam, incluindo membros da Igreja, autoridades e curiosos.

Sua vida foi radicalmente transformada. Ela não tinha mais a companhia leal e agradável dos primos e vivia dias maçantes, em que era constantemente pressionada e assediada. Aos poucos, a saúde de Lúcia começou a dar sinais de fragilidade. Isso foi motivo de grande preocupação para o cônego Manuel Nunes Formigão, que já havia algum tempo acompanhava o caso das aparições.

Com medo de que a menina tivesse o mesmo fim de seus primos e para preservá-la, o cônego sugeriu levá-la para um internato localizado fora de Fátima. Mesmo com todo o desejo de Lúcia de enfim ter paz e fugir do assédio que sofria, não foi uma decisão fácil. Ela ainda era muito jovem e a assustava a ideia de se lançar sozinha no mundo, deixando para trás sua casa, sua família e o lugarejo onde cresceu. Tudo o que lhe era habitual e conhecido seria perdido.

Em meio a toda a aflição, Lúcia foi até à Cova da Iria rezar. Lá, pediu perdão por não se sentir capaz de oferecer dessa vez esse sacrifício, e, conforme ela contou tempos depois, encontrou novamente Nossa Senhora. Esta sétima aparição havia sido prometida pela Mãe de Deus na aparição de 13 de maio.

Enquanto Lúcia estava de joelhos junto à grade que protegia o local onde estava a carrasqueira das aparições, a menina sentiu a mão de Nossa Senhora tocar-lhe no ombro, e, com voz doce, a Virgem lhe disse: “Aqui estou pela sétima vez. Vai, segue o caminho por onde o senhor bispo te quiser levar, essa é a vontade de Deus.”

Assim, no dia 15 de junho de 1921, Lúcia repetiu seu “sim” e, mesmo sofrendo, continuou a obedecer aqueles que ela acreditava serem os desígnios do Senhor. Com apenas 14 anos, partiu para o desconhecido. Foi estudar no Internato Asilo de Vilar, na cidade do Porto, onde adotou o condinome Maria das Dores, evitando que fosse reconhecida pelas colegas e pela comunidade local.

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