A solidão de Lúcia

Quando testemunhou as aparições de Nossa Senhora em Fátima, em 1917, a pequena Lúcia tinha apenas 10 anos. Era uma menina seminalfabeta, nascida em um vilarejo no interior de Portugal, local de princípios morais e religiosos rigorosíssimos. Embora fosse uma graça imensurável estar com Nossa Senhora, as aparições trouxeram a ela e aos primos uma carga bastante pesada.

Eles eram alvo de perseguições, zombarias e descrédito.Ouviram muitos insultos e ameaças e pessoas mal-intencionadas trombavam com eles propositalmente no intuito de lhes machucar. A falta de respeito era tamanha que, certa vez, no meio da multidão, chegaram a cortar as tranças de Lúcia.

Aquela que antes era a protegida e paparicada dentro do seio familiar, passou a ser alvo de suspeitas. A menina passou a ser tratada com desprezo até pelos parentes mais próximos, já que sua mãe pensava que, com as supostas mentiras, sua filha estaria enganando e causando mal a todos. Lúcia sofreu muito com isso, mas o fez calada, dedicando todos os suplícios pela conversão dos pecadores.

Dois anos depois das aparições, Lúcia experimentou a dor da perda de seus primos, os seus dois principais companheiros. Com a morte de Francisco e Jacinta, ela já não tinha mais com quem compartilhar seus momentos mais íntimos e preciosos. Era a única que conhecia o Segredo de Fátima. Tinha apenas doze anos e sentia-se extremamente só. A ela estavam direcionados todos os olhares e cobranças, mas não havia ninguém em quem ela poderia se apoiar.

Embora a solidão humana que ela vivia fosse enorme, Lúcia encontrava apoio na própria Virgem, que continuava a lhe aparecer. Era na mãe de Deus que ela depositava suas angústias e dela que tirava forças para seguir em frente.

Essa história está no livro Fátima, que eu e Kenya publicamos em parceria com a Globo Livros. Já tem o seu? Está em livrarias de todo o país e, na internet, pode ser encontrado AQUI