O amor que leva à devoção

“O Francisco não parecia irmão da Jacinta senão nas feições do rosto e na prática da virtude. Não era, como ela, caprichoso e vivo; era, ao contrário, de natural pacífico e condescendente” *, assim Lúcia descrevia o primo, que ao lado dela e de Jacinta, testemunhou as aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.

“Quando, nos nossos (jogos) e brincadeiras, algum se empenhava em negar-lhe os seus direitos por ter ganhado, cedia sem resistência, limitando-se a dizer apenas:
– Pensas que ganhaste tu? Pois sim! A mim isso não me importa.
(…)
Se alguma das outras crianças porfiava em tirar-lhe alguma coisa que lhe pertencesse, dizia:
– Deixa lá! A mim que me importa?” *

Pelos relatos de Lúcia, vemos que poucas coisas importavam verdadeiramente ao menino. Dono de um temperamento sereno, não gostava de comprar brigas ou se indispor com os outros. De fato, somente duas coisas interessavam vivamente ao pastorinho. Uma delas era consolar Cristo:

“Um dia que eu me mostrava descontente com a perseguição que dentro e fora da família se começava a levantar, ele procurou animar-me, dizendo:
– Deixa lá. Não disse Nossa Senhora que íamos a ter muito que sofrer, para reparar a Nosso Senhor e o Seu Imaculado Coração, de tantos pecados com que são ofendidos? Eles estão tão tristes! Se com estes sofrimentos os pudermos consolar, já ficamos
contentes.” *

Muito esforço ele fazia com este propósito. Passava horas e horas absorto em suas preces e contemplação, a fim de consolar os corações de Maria e Jesus. Também era grande o tempo que dedicava à oração do terço, a outra grande preocupação de Francisco:

“– Ó minha Nossa Senhora, terços, rezo todos quantos Vós quiserdes.” *

Era tanta a sua devoção, que deixava até de brincar com a irmã e a prima:

“E, desde aí, tomou o costume de se afastar de nós, como que passeando; e se chamava por ele e Ihe perguntava que andava a fazer, levantava o braço e mostrava-me o terço.” *

O exemplo de Francisco não deve ser refutado, mas, ao contrário, admirado e seguido por todos os homens e mulheres. O amor a Nosso Senhor e Nossa Senhora infundiu no coração do menino uma força que permeou cada um dos seus dias após as aparições. O mesmo sentimento de graça e plenitude podemos nós também alcançar através da oração do terço e dos esforços para consolar Jesus e Maria. Será que não vale a pena tentar?

* trechos do livro “Memórias da Irmã Lúcia”, publicado pelo Secretariado dos Pastorinhos – Fátima/Portugal.