São João Evangelista: o apóstolo do Amor

Hoje celebramos a memória de São João Evangelista, o mais jovem dos Apóstolos, conhecido como “o discípulo a quem Jesus amava”, e um dos maiores santos da Igreja. É o autor do quarto evangelho e também de três epístolas e do livro do Apocalipse. Era um dos três apóstolos mais próximos de Cristo.

João era filho de Zebedeu e de Maria Salomé, uma das mulheres que acompanharam o Messias a fim de O servir. Era pescador, como os irmãos Simão e André, e ao lado de outro irmão, Tiago, ajudava o pai na pesca. Antes de conhecer Jesus, ele era discípulo de São João Batista. Ele e Tiago foram chamados pelo Salvador para segui-Lo enquanto estavam no Lago de Genezaré, no Mar da Galiléia.

Sua pureza e bondade logo fizeram dele um discípulo querido por Jesus, em quem confiava e a quem recorria. Seu bom gênio e sua doçura o tornavam bem quisto por todos. Sua introspecção e sua serenidade não faziam a sua fé menor. Ao contrário, João era conhecido por sua defesa intransigente do credo católico e aguerrido defensor das ideias de Jesus.

Junto com os apóstolos Pedro e Tiago, João participou de alguns dos mais notáveis episódios na vida de Cristo, como a ressurreição da filha de Jairo, a Transfiguração no Tabor e a Agonia no Horto das Oliveiras. Ele também estava presente quando o Mestre revelou os sinais da ruína de Jerusalém e do fim do mundo. Foram João e Pedro os encarregados de preparar a Ceia derradeira.

Durante a Última Ceia, ele recostou sua cabeça no colo do Senhor, perguntando-Lhe o nome daquele que O trairia. Após a prisão de Cristo no Jardim do Getsêmani, São João seguiu-O até a corte dos sumos sacerdotes, acompanhou o interrogatório do Mestre e o seguiu até o local da crucificação.

Com Maria e João aos pés da cruz, Jesus disse: “Mulher, eis aí teu filho” em em seguida, “Eis aí tua mãe” (Jo 19:26-27). A partir daquele momento, São João, como um filho amoroso, em nome de toda a humanidade, passou a cuidar da Virgem Maria e com ela permaneceu até sua Dormição.

Após a Assunção de Nossa Senhora, o João partiu para a Ásia Menor a fim de pregar o Evangelho. No caminho, sobreviveu, por graça de Deus, a um naufrágio, resistindo a 14 dias no mar. Em Éfeso, pregou incessantemente e fez inúmeros milagres, convertendo muitos pagãos.

Como era tempo de perseguição aos cristãos, São João foi levado à Roma para ser julgado. Acabou condenado à morte por envenenamento, mas novamente o Senhor o salvou, já que nada lhe aconteceu mesmo após beber um cálice de veneno mortal. Também sobreviveu a um caldeirão de óleo fervente, do qual saiu sem qualquer queimadura. O apóstolo foi então exilado na ilha de Patmos, onde viveu por muitos anos. De lá, escreveu cartas para as comunidades cristãs perseguidas e sofridas.

Após o exílio, São João foi libertado e voltou a Éfeso, onde orientava os cristãos e onde escreveu seu Evangelho, que, com um conteúdo catequético, funciona como um aprofundamento da doutrina católica.

João, a quem a Igreja chama de “Apóstolo do Amor”, ensinava aos cristãos que deveriam amar o Senhor e também uns aos outros, seguindo os mandamentos de Cristo. Dizia sempre que o homem não pode se aproximar de Deus sem amor. Este tema também é recorrente em suas três Epístolas.

São João foi o único Apóstolo que não morreu martirizado. Ao perceber que seu fim estava próximo, deixou Éfeso acompanhado por seus discípulos e suas famílias. Pediu a eles que preparassem um túmulo em forma de cruz. Faleceu de morte natural no ano 103 d.C.