A sensação arrebatadora da aparição do anjo

Diferentemente das aparições de Nossa Senhora, que deixava nos pastorinhos uma sensação de paz e alegria expansiva, a presença do divino percebida nas três aparições do anjo que antecederam as visões da Virgem deixava Lúcia, Jacinta e Francisco prostrados fisicamente. Era uma sensação tão intensa e arrebatadora que o cansaço impedia os pequenos até de falar.

Depois da segunda aparição, como relato registrado no livro de memórias da Irmã Lúcia, a força da prostração ficou ainda mais acentuada:

“Quando falávamos no Anjo, não sei o que sentíamos. A Jacinta dizia:
– Não sei o que sinto; já não posso falar, nem cantar, nem brincar e não tenho força para nada.
– Eu também não – respondeu o Francisco. – Mas que importa? O Anjo é mais bonito que tudo isso. Pensemos n’Ele.
Na terceira aparição, a presença do sobrenatural foi ainda muitíssimo mais intensa. Por vários dias, nem mesmo o Francisco se atrevia a falar. Dizia depois:
– Gosto muito de ver o Anjo; mas o pior é que, depois, não somos capazes de nada. Eu nem andar podia, não sei o que tinha!” (Memórias da Irmã Lúcia, pág 140)

Quanto maior a experiência do divino, maior o impacto. À medida em que as aparições se sucedem e os pastorinhos evoluem no conhecimento do mistério, mais intenso é o torpor e o cansaço. Não deve ser fácil ficar cara a cara com o sobrenatural, com as coisas de Deus.

As aparições do anjo prepararam as três crianças para o que ainda estava por vir. Foram penetrando em seus corações e também fortalecendo corpo e espírito, para que aqueles que foram escolhidos para testemunhar a presença da Mãe de Deus pudessem estar firmes e prontos para levar sua missão adiante.