Somos todos como Francisco

Certa vez, em uma aula de formação da Tarde com Maria, uma aluna confidenciou que tinha muita dificuldade para concentrar-se na oração. Achava difícil manter a postura, já que o corpo cansava logo e seu pensamento ia para longe em alguns momentos. Perguntou-me qual era a solução para o problema.

A resposta que dei foi: não há nenhum problema. E lemos juntos um trecho das Memórias da Irmã Lúcia:

“Na aparição do Anjo, [Francisco] prostrou-se como sua irmã e eu, levado por uma força sobrenatural que a isso nos movia; mas a oração aprendeu-a ouvindo-nos repeti-la, pois, ao Anjo, dizia não ter ouvido nada.
Quando, depois, nos prostrávamos para rezar essa oração, ele era o primeiro que se cansava da posição, mas permanecia de joelhos ou sentado, rezando também, até que nós acabássemos. Depois, dizia:
– Eu não sou capaz de estar assim tanto tempo como vocês. Doem-me as costas tanto que não posso.” (pág 139).

Somos todos iguais a Francisco. Somos seres humanos com qualidades, defeitos e limitações. Não conseguir manter-se prostrado durante a oração não fez dele pior do Lúcia ou Jacinta. Ele não deixou de ser santo por causa da dificuldade de rezar com a cabeça encostada ao chão. E sabe por quê? Porque a oração e a santidade vêm do coração!

O que importa não é a posição e nem mesmo o tempo dedicado à oração. O fundamental é que o momento da prece seja um instante de intimidade com Deus: “Senhor, sou igual ao Francisco e, mesmo com todas as minhas imperfeições, estou aqui a Te olhar, a Te consolar e a Te agradecer”. A única coisa imprescindível é que cada palavra seja dita ou meditada com sinceridade e contrição. Porque, mesmo quando temos dificuldade de rezar, o Pai vê dentro da nossa alma.