Deus transforma

Lendo a Bíblia com um pouquinho de atenção, percebemos que as experiências próximas do divino provocam nos homens grande mudanças de vida. O que aconteceu ao cego que esteve com Jesus? Ele creu e voltou a enxergar. O que ocorreu ao leproso que implorou a Cristo que o curasse? Livrou-se da doença. Os verdadeiros encontros geram transformações genuínas, seja no corpo ou na alma.

Com Jacinta, Francisco e Lúcia, não foi diferente. As aparições do anjo e de Nossa Senhora os fizeram experimentar as coisas de Deus de tal forma que eles nunca mais foram os mesmos. Sobre a prima Jacinta, dizia Lúcia: “a sua companhia tornava-se-me, por vezes, bastante antipática, pelo seu carácter demasiado melindroso. A menor contenda, das que se levantam entre as crianças, quando jogam, era bastante para a fazer ficar amuada, a um canto, a prender o burrinho, como nós dizíamos. Para a fazer voltar a ocupar o seu lugar na brincadeira, não bastavam as mais doces carícias que em tais ocasiões as crianças sabem fazer. Era então preciso deixá-la escolher o jogo e o par com quem queria jogar” (Memória das Irmã Lúcia, pág 37).

No entanto, após as aparições, ela abandona esta postura egocêntrica típica da infância e passa a colocar em primeiro lugar todas as almas que precisam de redenção. Vemos em Jacinta uma imensurável compaixão pelos pecadores. Com apenas sete anos, ela abria mão de seus lanches para dá-los aos necessitados, mesmo padecendo de fome. Sob o sol quente, era capaz de abdicar de um copo de água, oferecendo tal sacrifício pela salvação dos pecadores. Opera-se na pequena Jacinta uma transformação radical, uma mudança de fato, que ela carrega consigo até o fim dos seus dias.

O que aconteceu com os pastorinhos não é privilégio dos santos. Quantos e quantos convertidos experimentaram a graça de Deus e tiveram suas vidas transformadas de forma duradoura! Quem sente Deus e é tocado por ele jamais será o mesmo de antes. Que tal se entregar a essa experiência?