Por que Jesus é chamado de Cordeiro de Deus?

Você, que frequenta regularmente a missa, conhece a expressão “Cordeiro de Deus”. Utilizada para fazer referência a Jesus Cristo, ela aparece algumas vezes no Novo Testamento. Foi o termo usado por João Batista, que disse: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). É o que recitamos na liturgia: “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós”.

Na Páscoa antiga, os hebreus costumavam oferecer como a Deus um cordeiro “puro, sem manchas e sem defeito”, para que lhes fossem perdoados os pecados. Jesus, que entregou-se à morte para salvar a Humanidade do pecado, morreu exatamente no período da Páscoa hebraica, no preciso momento em que os sacerdotes sacrificavam, no templo, o seu pequeno animal.

No livro do Êxodo, Deus deu a Moisés e Abraão instruções sobre como deveria ser vivida a Páscoa. Disse-lhes que deveria ser sacrificado um cordeiro, mas que não quebrassem nenhum osso do animal (Ex 12,46). Quando Jesus foi crucificado, como era de costume com os condenados, os soldados quebraram as pernas dos dois ladrões que estavam ao lado do Messias. Mas não o fizeram com Jesus – “Chegando porém, a Ele, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o peito com uma lança, e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19,34) –, cumprindo-se, assim, a Escritura.

Sim, porque Ele é o Novo Cordeiro da Nova Páscoa, de quem “não foi quebrado nenhum osso” (Jo 19,36). O sangue e a água apontam para a Igreja que nasce da Cruz de Cristo, cuja força salvífica é transmitida, particularmente, na água do Batismo e no sangue da Eucaristia.

O termo Páscoa, em hebraico Peshah, significa “passagem”. Tratava-se de uma antiga festa primaveril de pastores nômades, que se transferiam das passagens invernais às da primavera. Celebrava-se uma festa, na qual se ofereciam à Divindade as primícias da cevada e os primogênitos do rebanho.
Sucessivamente a Páscoa recebe um novo significado: trata-se da passagem da escravidão do Egito à liberdade, no tempo de Moisés. Continua o sacrifício do primogênito do rebanho: o do “cordeiro, sem defeito, macho, nascido naquele ano” (Ex 12,5).

Nos dias da Páscoa hebraica, Jesus morre e ressuscita. E a Páscoa assume, assim, um novo significado: trata-se da “passagem” da morte para a ressurreição.

Interessante é o título de “Cordeiro de Deus” (Jo 1,36), dado a Jesus. Na mesma hora em que Jesus morre, os sacerdotes do Templo sacrificavam o cordeiro da Páscoa hebraica. A este cordeiro não podia ser quebrado nenhum osso (Ex 12,46).