Como um livro mudou um homem

Toda conversão pressupõe uma profunda mudança, não somente nas crenças, mas também nos sentimentos. A transformação confere um estado de plenitude, possível através da graça. Foi o que aconteceu com o servidor público João Carlos Sardinha Junior. No dia 03 de agosto, transcorridos menos de dois meses de seu aniversário de 50 anos, ele recebeu o sacramento do Batismo, numa linda história de conversão.

João Carlos foi criado em uma família religiosa, mas bastante sincrética. Seus pais eram espíritas kardecista, mas vários de seus parentes também eram ligados a crenças de origem africana. As múltiplas referências religiosas presentes em sua casa nunca lhe conferiram tranquilidade ou realização. “Eu sempre tive muitas dúvidas, muitos questionamentos. Busquei respostas para essa inquietação em diversas religiões e até na filosofia. Cheguei a recorrer a uma coisa mais mística, aderindo ao movimento Rosa-Cruz. Mas, no fundo, minhas grandes perguntas nunca tinham resposta”, conta. “Não julgo as outras religiões com as quais tive contato, tampouco com os movimentos misticos/fraternais dos quais participei. Apenas relato o que aconteceu comigo. A filosofia explica, ou tenta explicar, ‘as coisas dos homens e de determinados tempos’, mas não explica ‘as coisas de Deus e eternas’”, complementa.

Ele é casado há 19 anos com uma mulher de família católica, praticante e atuante na fé. A sogra é servita da Associação Tarde com Maria e a irmã dela, doutora em Teologia. Apesar desse ambiente e da insistência carinhosa da sogra para que João conhecesse mais sobre a Igreja Católica, ele não deixava a fé penetrar em seu coração. “Eu era sempre muito refratário e assumo isso hoje com muita vergonha e arrependimento. Normalmente, as pessoas criticam a Igreja Católica, não aceitam e não querem conhecer, com uma soberba boba. “Hoje em dia é chique ser ateu ou anti-católico e, na enorme maioria das vezes, as críticas à Santa Igreja Católica são fruto da ignorância e da desinformação”, explica.

As dúvidas continuavam corroendo João Carlos, até que ganhou de presente da sogra o livro “A fé explicada”, do padre Leo J. Trese. “A única interpretação que eu consigo dar é que eu fui agraciado. Comecei a pensar muito, minha cabeça foi mudando e, num determinado momento, nasceu em mim uma vontade enorme de encontrar a Deus”, conta ele.

Por intermédio da tia de sua esposa, conseguiu um encontro com o bispo auxiliar emérito Dom Karl Josef Romer, que já tivera a oportunidade de conhecer em outros eventos religiosos na família da esposa. O encontro entre os dois foi marcado por profunda emoção. “Eu tinha a intenção de pedir que ele me batizasse porque eu estava convicto de que era isso que eu queria, mas eu não consegui falar, porque eu chorava compulsivamente”.

Dom Romer o guiou na caminhada na iniciação cristã. No dia 03 de agosto deste ano, João Carlos, foi batizado e, em função da idade, recebeu também a Primeira Eucaristia e o Sacramento da Crisma. “Agora tenho dois aniversários: minha data de nascimento e a data do meu batismo!”, ressalta ele, que convidou a sogra e o religioso para serem seus padrinhos.

“Eu não tenho nenhuma história fantástica, eu não vi nenhuma luz, eu não tive nenhum sonho, não ouvi nenhuma voz, sou uma pessoa comum. Minha história, para os outros, não tem nada demais, é muito simples. Mas, apesar de não ter nada de aparentemente fantástico, o que aconteceu dentro de mim é extraordinário. Nunca vou conseguir descrever a transformação interna que se operou em mim. É uma sensação de preenchimento, uma certeza absoluta. É como se você tivesse entrado num avião e você tivesse certeza completa de que ele vai chegar ao destino final. Ele pode parar para abastecer, você pode ter que fazer escala num lugar feio, vai pousar em outro melhor. Num lugar, a escala vai ser rápida e, em outro, vai demorar um pouco, mas você tem certeza absoluta de que vai chegar ao destino final e de que esse destino é uma maravilha. A graça, quando é derramada no seu coração, é tão forte que é quase uma realidade física”, resume.