Um segredo dividido em três

A mensagem de Nossa Senhora de Fátima sempre foi envolta em muito mistério. Em boa parte, porque popularizou-se que havia um “segredo”, que foi guardado até 1981 e só revelado pelo então papa São João Paulo II. No entanto, Maria nunca usou essa palavra! Em sua conversa com os pastorinhos em julho, disse apenas: “Isto não digais a ninguém”, pedindo que não contassem uma parte da visão que haviam tido.

A partir desse dia, as três crianças, em toda a sua ingenuidade, toda vez que alguém lhes perguntava o que Nossa Senhora havia dito, respondiam que era segredo. Quando insistiam, procurando descobrir o motivo deste mistério, eles apenas abaixavam a cabeça e encolhiam os ombros. Eles achavam que esta seria uma maneira eficiente de se livrarem dos curiosos, mas isso só fez crescer cada vez mais a curiosidade das pessoas sobre o suposto segredo de Fátima.

Muitos dizem que são três os segredos revelados pela Virgem aos pastorinhos. No entanto, trata-se de apenas um, dividido em três partes. A primeira dela refere-se à visão do inferno, com seu mar de fogo, demônios e almas em profundo sofrimento, gemendo e chorando de dor. A segunda parte é o pedido pela consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, que só se concretizou efetivamente em 1991. Essas duas partes do segredo foram divulgadas em 1941, quando a Irmã Lúcia publicou, com autorização do bispo de Leiria, as suas memórias.

A terceira parte do Segredo Lúcia colocou no papel em 1944, quando estava no convento de Santa Dorotéia, na Espanha, após a aprovação dada pela própria Nossa Senhora em uma das muitas visões que a religiosa teve com ela ao longo de sua vida. Mas, como a Mãe Santíssima havia, nesta ocasião, pedido que o conteúdo só fosse divulgado depois de 1960, Lúcia colocou o texto em um envelope e o entregou ao bispo. O envelope foi lacrado e posteriormente enviado ao Vaticano, onde ficou sob tutela do Arquivo Secreto do Santo Ofício.

Os escritos de Lúcia foram lidos em 1959 pelo papa João XXIII e em 1965 pelo pontífice Paulo VI, que não revelaram a ninguém o que tinham lido. Somente em 1981 o envelope foi novamente solicitado, desta vez pelo Papa João Paulo II, que havia acabado de sofrer um atentado. Foi ele quem levou a público o conteúdo da mensagem.

Lúcia descrevia o que ela e os primos tinham visto: um anjo com uma espada de fogo em uma das mãos, do lado esquerdo de Nossa Senhora. Da espada saíam chamas, que, embora fossem muito fortes, eram contidas pelos feixes de luz que emanavam da mão da Virgem. O anjo apontava para a Terra com a outra mão e exclamava três vezes: “Penitência!”. Em um clarão de luz, havia um bispo vestido de branco, que as crianças entenderam ser o Papa. Também havia outros religiosos, além de leigos, que subiam uma montanha em cujo cume estava uma grande e rústica cruz. Para chegar ao topo da montanha, o Papa atravessou uma cidade muito destruída e, bastante sofrido, rezava pelas almas dos cadáveres que jaziam pelo caminho. Ao fim, o Santo Padre foi morto por soldados, que disparavam tiros e flechas, matando também os demais sacerdotes e fiéis que o seguiam. Dois anjos que estavam sob os braços da cruz recolhiam, com regadores de cristal, o sangue dos pobres mártires e regavam, com ele, as almas que se aproximavam de Deus.

No livro “Fátima”, que eu e Kenya escrevemos e que foi publicado em parceria com a Globo Livros, contamos um pouco mais sobre o Segredo. A obra traz informações que colhemos com carinho ao longo de muito tempo, algumas inéditas, com o objetivo de difundir a mensagem de Nossa Senhora de Fátima. A obra pode ser encontrada em livrarias de todo o país e também na internet clicando aqui.