O que aconteceu no Milagre do Sol?

Em outubro de 1917, mais de 60 mil pessoas aguardavam na Cova da Iria para testemunhar a última aparição de Nossa Senhora em Fátima e também o espero milagre que ela tinha anunciado que faria. A devoção e a incredulidade dividiam os presentes, que se alternavam em demonstrações de fé e desconfiança em relação aos pastorinhos. Jornalistas estavam misturados ao povo, ávidos por acompanhar cada detalhe daquela data.

Como naquele dia um verdadeiro temporal castigava a região e o número de peregrinos que se avolumava na estrada era espantoso, Lúcia, Jacinta e Francisco saíram cedo de casa. Foram acompanhados dos pais, que temiam que se concretizasse o boato de que as autoridades explodiriam uma bomba no local das aparições. A ameaça, no entanto, não amedrontou as três crianças, que pensavam somente na possibilidade de ir para o céu.

Apesar da chuva intensa, Lúcia pediu que as pessoas ali fechassem seus guarda-chuvas para, juntos, rezarem o terço. O pedido foi acolhido e, encharcados, recitavam em uníssono a oração. Pouco depois, deu-se o clarão que marcou todas as aparições.

O pedido de uma capelinha

“Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os soldados voltarão em breve para suas casas”, anunciou a Virgem Maria.

Apesar de ouvir o pedido de Lúcia para curar alguns doentes e converter uns pecadores, a Mãe de Deus respondeu: “Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão pelos seus pecados”. Com o semblante entristecido pediu: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

Em seguida, Nossa Senhora abriu as mãos e se elevou em direção ao nascente, fazendo com que o reflexo da sua própria luz fosse projetado no sol. Impressionada com a visão e movida por intenso sentimento, Lúcia gritou para a multidão: “Olhem, lá vai Ela! Lá vai Ela!”.

Enquanto Nossa Senhora desaparecia no céu, os pequenos pastorinhos viram, ao lado do sol, São José com o Menino Jesus no colo e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. Assim que essa imagem desapareceu, os três viram Jesus acompanhado de uma Virgem, que Lúcia acreditou ser Nossa Senhora das Dores. Logo depois, viram uma representação de Nossa Senhora do Carmo.

Nesse instante, ouviram as pessoas gritarem enquanto olhavam o sol: “Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!”. A chuva cessou e o céu clareou magicamente. Um calor inexplicável tomou conta do local e as roupas molhadas secaram imediatamente. Os peregrinos podiam olhar diretamente para o sol sem sentir qualquer tipo de incômodo, apesar de o astro-rei estar forte e brilhante. O sol, então, começou a girar loucamente e a atmosfera ganhou um tom inicialmente arroxeado e, depois, amarelado. Tudo no entorno parecia ganhar as essas mesmas cores.

Por fim, o próprio sol mudava de cores, até ficar vermelho e crescer rapidamente, como se estivesse vindo em direção à Terra. Muitos gritavam com medo de serem esmagados, alguns choravam, outros se escondiam. Mas o astro logo retomou suas características habituais. Emocionados, todos davam testemunho de que ali tinha ocorrido um milagre.