De onde Ela é rainha?

Não é de se admirar que Nossa Senhora tenha escolhido Portugal como um dos locais onde apareceria a seus fiéis. A ligação da Virgem com o país é muito anterior às aparições aos pastorinhos ocorrida em Fátima em 1917 e remonta à época da sua separação do restante da Península Ibérica.

A independência do então Condado Portucalense foi decretada em 1128 por Dom Afonso Henrique, filho do homem que ajudou a expulsar os mouros da região da Hispânia, Dom Henrique de Borgonha. O condado transformou-se no Reino de Portugal e Dom Afonso tornou-se seu primeiro rei. A conquista da emancipação, no entanto, não terminava ali. Os castelhanos seguiram lutando para retomar as terras perdidas e, entre 1383 e 1385, Lisboa foi cercada pelas tropas do Rei João I de Castela.

O exército hispânico era muito mais numeroso e, acreditava-se, levaria vantagem no confronto que ficou conhecido como Batalha de Aljubarrota. Mas, contrariando todas as expectativas, foi derrotado, o que consolidou a independência portuguesa. A atuação dos soldados de Portugal neste conflito foi regida pelo nobre Dom Nuno Álvares Pereira, Comandante Supremo do Exército. No entanto, ele atribuiu a vitória não a si, mas à Imaculada Conceição, da qual era muito devoto.

Ainda jovem, Dom Nuno tornou-se pajem da rainha Dona Leonor, o que o aproximou da família real. Possuía grande aptidão militar e destacava-se em suas missões. Foi responsável por diversas vitórias do exército português. Mas, além de um excelente homem de armas, era gente de profunda espiritualidade, grande admirador da Virgem Maria. Sua sincera devoção levou-o a, mais tarde, fundar a Igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Vila Viçosa, no distrito português de Évora, e a doar uma imagem da Virgem Santíssima confeccionada na Inglaterra. Aqui no Brasil, pouca gente sabe, mas Dom Nuno foi beatificado pelo papa Bento XV em 1918 e canonizado pelo papa Bento XVI em 26 de abril de 2009, sob o título de São Nuno de Santa Maria.

Quase 300 anos depois, em 1640, uma outra importante vitória também foi atribuída à intercessão da Imaculada Conceição: a chamada Guerra da Restauração, quando Portugal obteve o reconhecimento definitivo de sua independência em relação à Espanha. Como agradecimento, o então rei Dom João IV coroou a tal imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, doada por Dom Nuno, atribuindo-lhe o título de Rainha de Portugal.

Após o gesto, Dom João IV deixou de utilizar a coroa real, abrindo mão da demonstração de sua realeza em nome de Nossa Senhora da Conceição, um gesto de submissão e fé que, até hoje, marca o povo português. Em 1640, a Imaculada Conceição foi declarada Padroeira de Portugal e, por consequência, padroeira também de todas as suas colônias, inclusive do Brasil – o que, desde o berço, coloca nosso país nos braços da Mãe Santíssima. Uma graça e tanto, não?

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