O pecado e o braço quebrado

Nenhum santo nasce santo. A santidade não é inata nem isenta do pecado. Os santos eram pessoas comuns que foram abandonando o pecado aos poucos, aprendendo a resistir às tentações do demônio e a dedicar-se com mais afinco aos desígnios de Deus. Da mesma forma como eles aprenderam a resistir ao pecado, também nós podemos – e devemos – fazê-lo, para desagravar o coração Imaculado de Maria.

O pecado nos espreita em muitos lugares e circunstâncias. Nem estou falando das grandes tentações, mas daqueles impulsos e dos pequenos desejos que nos corrompem no dia a dia: uma forma mais grosseira de responder às pessoas, a intenção de ostentar um item de luxo, a ânsia de abster-se das responsabilidades e entregar-se à preguiça, a vontade de flertar com uma bela moça mesmo sendo um homem casado, a inveja descabida da conquista de outra pessoa.

Há também aqueles que recorrem ao pecado como um pseudo refúgio para os seus problemas: os solitários que frequentam o bingo, os desesperançosos que acorrem ao adultério, os deprimidos que cedem à gula, os perdidos que se valem do consumismo desenfreado, os tímidos que buscam a prostituição… Existem tantas possibilidades de se enganar achando que o pecado traz alívio, quando, na verdade, nos afasta ainda mais do Imaculado Coração de Maria.

Todos nós temos um ponto fraco. Um padre amigo meu, que certa vez quebrou o braço, tem sempre a tendência de proteger aquele membro, pois, cada vez que algo esbarra ou bate ali, ele sente uma pontada de dor. O mesmo deve se aplicar a nossa vida espiritual. Se temos uma fraqueza, devemos protegê-la para que o diabo não se aproveite dela. Um álcoolatra, por exemplo, não deve ficar sozinho em uma casa cheia de bebidas alcoólicas. Mesmo que esteja abstêmio e se controle em boa parte do tempo, provavelmente, no primeiro momento de dificuldade ou na primeira crise emocional, vai recorrer à bebida de maneira desgovernada. Se ele se mantém longe da tentação, a chance de fracassar é muito menor.

Essa é a nossa luta contra o pecado, a batalha que devemos travar todos os dias em busca de uma vida mais santa e de acordo com os planos de Deus para nós. Estejamos sempre vigilantes para evitarmos cravar no coração de nossa Mãe do Céu mais e mais espinhos.