O sofrimento de Jacinta

A pequena Jacinta, a mais nova e travessa dos três pastorinhos, passou por grande sofrimento antes de morrer, com apenas nove anos de idade. Acometida pela gripe espanhola, a menina passou por uma primeira temporada no hospital. Foram dois meses antes de retornar à casa. Era apenas o início do suplício pelo qual passaria. “Sofro sim; mas ofereço tudo pelos pecadores e para reparar o Imaculado Coração de Maria”, dizia a pequena na ocasião.

Apesar da longa hospitalização, Jacinta voltou com a saúde ainda mais fragilizada. Uma
enorme ferida em seu peito, provavelmente provocada pelo dreno que teve que ser colocado, provocava fortes dores. Nesta época, em casa, teve uma visão de Nossa Senhora, que a avisou que seria novamente internada e que, no hospital, morreria sozinha. A Virgem perguntou-lhe se aceitaria sofrer mais pela conversão dos pecadores e Jacinta assentiu.

Pouco tempo depois, foi levada a Lisboa, a fim de obter tratamento mais adequado ao seu problema. Enquanto aguardava vaga no hospital, foi acolhida no orfanato Nossa Senhora dos Milagres. Ali, recebeu diversas vezes a visita de Nossa Senhora. Mais tarde, a madre que cuidava da menina contou que, apesar de estar longe da família e ser acometida por fortes dores, Jacinta tinha em sua face “uma expressão radiosa, celestial”. A pequena contava que a “Branca Senhora” se sentava numa cadeira junto de sua cama e conversava com ela de forma terna. Falava também dos males do mundo, dos pecados, dos castigos de Deus e da necessidade das orações e dos sacrifícios. A Virgem também lhe informou o dia e a hora de sua morte. Jacinta já sabia, desde aquele momento, tudo o que iria sofrer e quando o seu sofrimento acabaria.

Alguns dias depois, a menina foi internada no Hospital Dona Estefânia. Foi operada para a retirada das sétima e oitava costelas inflamadas do lado esquerdo e para drenagem da infecção crescente. Como Jacinta estava muito fraca, a cirurgia teve de ser realizada apenas com anestesia local, aumentando muito o seu desconforto. Apesar do esforço dos médicos, a ferida aumentou, a ponto de ficar do tamanho de uma mão, provocando uma dor quase insuportável.

Os pais foram visitá-la algumas vezes, mas não podiam permanecer direto no hospital, pois outros filhos também contraíram a gripe e precisavam de cuidados. A menina sentia muito a falta deles, mas tudo oferecia pela conversão dos pecadores.

No dia 20 de fevereiro de 1920, pela manhã, ao ser visitada pelo médico que a acompanhava e que disse que voltaria no dia seguinte para vê-la, Jacinta respondeu: “Não vale a pena. Vou morrer hoje às dez horas da noite”. No final da tarde, após sentir-se muito mal, Jacinta pediu a presença de um sacerdote para receber a comunhão. Correram a chamar o um padre, mas o sacerdote avaliou que não havia nada de grave com a menina e não lhe deu a eucaristia. Apenas duas horas e meia depois, Jacinta morria em paz e sozinha, exatamente como Nossa Senhora havia revelado.

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