O quarto “pastorinho”

Muita gente não sabe, mas além dos pastorinhos há um outro personagem muito importante relacionado às aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria. O cônego Manuel Nunes Formigão foi o designado pela cúpula da Igreja para investigar os acontecimentos de Fátima. Mas, de inquisidor passou a defensor e difusor da mensagem que a Mãe do Céu deixou naquele local.

Escolhido por ser grande devoto da Virgem Santíssima, tendo-se consagrado a ela na cidade francesa de Lourdes, Formigão decidiu estudar de perto as aparições logo após a prisão dos pastorinhos na cadeia de Leiria. Antes da quinta aparição, em setembro de 1917, já estava ele em Fátima.

O cônego interrogou Lúcia, Francisco e Jacinta várias vezes. Além disso, conversou com familiares, vizinhos e peregrinos. Tudo foi registrado e documentado. Antes de suas primeiras investigações in loco, o religioso mostrava-se cético quanto à veracidade das aparições. Mas, após os primeiros interrogatórios, suas impressões sobre o ocorrido já começavam a mudar, convencendo-se de que era evidente a sinceridade dos pastorinhos.

Em pouco tempo, ele já estava certo de que as alegações das três crianças não eram um engodo e que, de fato, elas tinham presenciado algumas visitas de Nossa Senhora. Os testemunhos colhidos por ele, o convívio com os pastorinhos e o fato de ele próprio ter presenciado o Milagre do Sol contribuíram para a mudança definitiva em sua postura.

Passou, então, a adquirir terrenos e dedicou-se à construção da Capelinha em honra da Mãe Santíssima, a fim de atender o que Ela havia pedido. Sabendo que, futuramente, muitos fiéis e peregrinos acorreriam ao local, convenceu os proprietários dos terrenos do entorno a doar ou vender a preços simbólicos essas terras. Foi organizando e preparando Fátima para o porvir.

Sob o pseudônimo de “Visconde de Montelo”, Formigão escreveu vários livros que contribuíram para a aceitação das aparições na Cova da Iria pelo clero, como “As grandes maravilhas de Fátima”, de 1927; “A pérola de Portugal”, de 1931, e “Fé e pátria”, de 1936.

Sua importância para a história de Fátima é tal que o cônego é considerado como o “quarto pastorinho”. O processo de beatificação e canonização de Manuel Formigão está em curso. Em 2018, o papa Francisco reconheceu as “virtudes heróicas” do religioso.

Essa é uma das histórias que Kenya e eu contamos no livro Fátima, publicado em parceria com a Globo Livros. Você ainda não leu? Então corre até uma livraria ou procura na internet. Venha nos ajudar na difusão da incrível mensagem de Nossa Senhora de Fátima!