Prisão e ameaças no lugar na quarta aparição

“Amanhecia o dia 13 de Agosto. O povo chegava de todos os sítios, desde a véspera. Todos queriam ver-nos, interrogar-nos e fazer-nos os seus pedidos, para que os transmitíssemos à Santíssima Virgem. Éramos, nas mãos daquela gente, como uma bola nas mãos da rapaziada. Cada um nos puxava para seu lado e nos perguntava a sua coisa, sem dar-nos tempo de responder a ninguém.” (Memórias da Irmã Lúcia, pág. 92)

Apesar do clima de expectativa e comoção, aquele não seria um dia 13 como os dos últimos três meses. Naquele dia, os pastorinhos não veriam Nossa Senhora. Não porque ela não quisesse aparecer ou porque não houvesse cumprido o que tinha combinado com os pastorinhos. Mas porque a maldade dos homens afastaria as três crianças da Cova da Iria.

Logo cedo, Lúcia, Jacinta e Francisco foram levados por um oficial de Justiça à casa do prior de Fátima. Começava ali um longo tormento, repleto de perguntas, inquisições e ameaças, que culminaria com a prisão dos três na cadeia de Vila Nova de Ourém. Embora menores de idade e sem acusação formal de um crime, eles foram detidos como forma de pressioná-los a revelar o segredo de Nossa Senhora de Fátima.

Jacinta temia morrer e nunca mais ver sua mãe. A Francisco o que mais amedrontava era não voltar a ver a Virgem Santíssima, já que não tinham consigo ir ao Seu encontro na data em que Ela havia estipulado.

Nenhuma das tentativas de intimidá-los foi bem sucedida, nem mesmo a ameaça de que seriam queimados vivos os fez contarem a verdade. Embora sofrendo muito pelo abandono da família e da tortura psicológica, eles saíram do episódio com a fé ainda mais fortalecida. Ofereceram todo o sofrimento pela conversão dos pecadores, pelo papa e pela reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Enquanto os pequenos passavam por tão grande suplício, os fiéis que estavam na Cova da Iria não arredaram pé, mesmo sem a presença dos pastorinhos. Diversos deles testemunharam que, no mesmo horário e mesmo local onde a Virgem tinha aparecido nos meses anteriores, ouviu-se o já conhecido estrondo, semelhante a um trovão, e uma espécie de fumaça foi vista em cima da carrasqueira.

Mas Nossa Senhora não desapontou Lúcia, Francisco e Jacinta. Em 19 de agosto, poucos dias depois de os três terem deixado a cadeia de Ourém, ela apareceu a eles em Valinhos.