Água da fonte

Com o crescente número de peregrinos na região da Cova Iria após as aparições, o abastecimento de água no local passou a ser uma preocupação constante dos moradores e da própria Igreja. Em 1921, quando se realizou ali a primeira missa campal, a escassez de água já havia se tornado um problema real.

A partir de uma inspiração, o então bispo de Leiria, Dom José Alves Correia da Silva, determinou a exploração do solo para abertura de poços. A ideia foi considerada estapafúrdia pelos habitantes locais, pois o solo da região é calcáreo e arenoso, ou seja, incapaz de reter umidade. Camponeses e operários riram do bispo, dizendo que a empreitada seria desperdício de dinheiro.

Mas, a 13 de novembro daquele ano, seguindo as ordens de Dom José, os trabalhadores abriram uma valeta no local apontado por ele, no fundo da Cova da Iria, exatamente onde os pastorinhos estavam quando viram Nossa Senhora pela primeira vez. Para surpresa de todos, do pequeno buraco brotava uma água constante e cristalina!

Como a fonte estava junto da Azinheira sobre a qual a Virgem aparecia, muitos correram a afirmar que era um milagre e logo a fama do poço se espalhou. Uma grande quantidade de pessoas recorria àquela água em busca de graças e, para atender a tantos fiéis, mais dois poços foram escavados na região.

Foi construído, então, um reservatório de cimento armado com 15 torneiras. Em cima do fontanário, foi colocada uma imagem do Sagrado Coração de Jesus. Ali, os peregrinos podiam beber livre e gratuitamente e ainda encher garrafas e potes para levar a amigos e parentes. Havia até quem se banhasse naquela água, à espera da cura para alguma doença.

Hoje, em função das mudanças na urbanização do Santuário, a fonte localiza-se no subsolo, numa área cujo acesso é restrito a funcionários. Mas algumas torneiras foram redirecionadas à superfície, para garantir aos fiéis o consumo da água que consideram milagrosa.

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