Rezando como crianças

Quando hoje pensamos nos pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta, muitas vezes os vemos apenas pelo prisma das aparições de Nossa Senhora de Fátima, como porta-vozes das mensagens da Virgem Maria. Mas nos esquecemos que eles eram apenas crianças quando isto aconteceu. Jacinta, a mais nova, tinha somente sete anos! A mais velha, que era Lúcia, ainda tinha dez.

Como crianças, tinham hábitos próprios dessa fase. Mesmo tenho a responsabilidade de pastorear o rebanho da família – costume muito recorrente nessa época –, costumavam se divertir entre eles, enquanto tocavam as ovelhas. Em dado momento do dia, paravam para lancharem juntos e faziam brincadeiras como jogar pedrinhas.

De família bastante católica, jamais deixavam de lado as orações, mas também as faziam de um jeito peculiarmente infantil. Jacinta, que adorava ouvir o eco de sua própria voz nos vales da região, gritava o nome da mãe de Deus, para escutá-lo sendo repetido! Fazia o mesmo com a oração da ave-maria, que rezava bem lentamente, para sentir as palavras voltando até ela. Já Francisco, que era o mais quieto dos três, gostava de tocar o seu pífaro, uma espécie de flauta transversal, e cantar músicas religiosas.

Para ganhar mais tempo para as brincadeiras, quando rezavam o terço, repetiam somente as palavras “Ave-Maria”, sem completar a oração, e, ao chegarem ao fim do Mistério, pronunciavam pausadamente apenas as palavras “Pai-Nosso”. Achavam que, desta forma, já estariam agradando a Deus!

Essas e outras histórias sobre os pastorinhos e as aparições de Nossa Senhora de Fátima eu e Kenya contamos no livro Fátima, que está sendo lançado em parceria com a Globo Livros. Se você ainda não leu, não perca a oportunidade. Produzimos este livro com muito carinho, para que todos possam conhecer melhor a mensagem da Virgem Santíssima.