Série “Os Mistérios do terço” – Luminosos

A oração do terço é uma prática muito antiga na Igreja Católica. Foi criada em 1214 por São Domingos de Gusmão como uma forma catequética de ensinar aos fiéis os momentos principais da vida de Jesus. Inicialmente, ela era composta por três grupos de mistérios: gozosos, gloriosos e dolorosos – daí deriva o nome terço: cada oração, que compreendia um grupo de mistérios, era considerada a terça parte da oração completa do rosário.

Refletindo sobre os mistérios da vida de Cristo, o papa São João Paulo II percebeu que faltavam alguns fatos importantes. Por isso, em 2002 ele sugeriu a inclusão de mais cinco momentos vividos por Cristo, os mistérios luminosos.

Hoje começamos uma série explicando cada um dos mistérios. A cada semana, traremos passagens bíblicas e considerações que ajudarão você a aprofundar a sua oração do terço!

Vamos dar início falando justamente sobre os mistérios luminosos, que receberam este nome porque remetem a Jesus como luz do mundo. São fatos importantes da vida pública de Cristo, quando ele anuncia o Evangelho.

1º Mistério – o Batismo de Jesus no Rio Jordão

“Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: ‘Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!’. Mas Jesus lhe respondeu: ‘Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa’. Então, João cedeu. Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. E do céu baixou uma voz: ‘Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição’.” (Mt 3, 13-17)

Como explica o Catecismo da Igreja Católica (CIC), a vida pública de Jesus começa com o seu Batismo por João no rio Jordão. João Batista, que proclamava um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados, sabia que não merecia sequer desatar as sandálias de Jesus, mas Cristo, abrindo mão do reconhecimento de ser filho de Deus, pediu que ele o fizesse, demonstrando ser, em toda a sua humildade, como todos nós homens. Assim, nos ensinou que somos também filhos de Deus.

2º Mistério – a revelação de Jesus nas Bodas de Caná

“Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galileia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho’. “Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou’. Disse, então, sua mãe aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser’. Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. Jesus ordena-lhes: ‘Enchei as talhas de água’. Eles encheram-nas até em cima. ‘Tirai agora’ – disse-lhes Jesus – ‘e levai ao chefe dos serventes’. E levaram. Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo e disse-lhe: ‘É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho me­lhor até agora’. Esse foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galileia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.” (Jo 2, 1-11)

A pedido de sua mãe, Jesus opera seu primeiro milagre. Esta passagem é importante não somente pelo milagre em si, mas pelo fato de que a presença de Jesus em um casamento confirma que o matrimônio é uma dádiva e um sinal da presença do Senhor. Mostra também como Maria está atenta às necessidades de todos, entregando a Jesus situações que precisam de solução. Deus nunca nos deixará faltar aquilo que nos é fundamental.

3º Mistério – o anúncio do Reino de Deus

“Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: ‘Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho’. Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse-lhes: ‘Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens’. Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no. Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo. Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram.” (Mc 1, 14-20)

Somos chamados a entrar no Reino de Deus, a seguir Jesus na missão de construir um mundo de amor, partilha e fraternidade. Cristo, que anuncia a Boa Nova, convida todos à conversão, a adotar um modo de vida pautado no perdão e no respeito aos planos do Pai.

4º Mistério – a Transfiguração de Jesus

“Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Pedro tomou, então, a palavra e disse-lhe: ‘Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias’. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: ‘Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha afeição; ouvi-o’. 6.Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: ‘Levantai-vos e não temais’. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: ‘Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos’.” (Mt 17, 1-9)
Nesta passagem, Jesus nos mostra a sua glória divina e foi uma fonte de ânimo para os apóstolos, embora já estivesse próximo o momento da crucificação. Precisamos sempre estar atentos aos sinais de Deus em nossa vida, para sentirmos essa presença divina também nos tempos de tribulação, em que nós também carregamos nossas cruzes.

5º Mistério – a instituição da Eucaristia

“Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: ‘Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai’.” (Mt 26, 26-29)

Ao celebrar a última ceia com os apóstolos, Jesus dá um sentido novo à Páscoa, que passa a lembrar a passagem de Cristo ao Pai, através da Sua morte e da Sua Ressurreição. Na Eucaristia lembramos que Jesus deu sua vida – seu corpo e seu sangue – livremente para nos salvar.

Na próxima quinta-feira, falaremos dos mistérios dolorosos. Não perca!

Lembre-se de que a Tarde com Maria promove a oração do terço ao vivo e on-line todos os dias. As transmissões acontecem sempre ao meio-dia. Basta clicar em https://tardecommaria.com.br/index.php/ao-vivo/.