Guia completo dos pecados e das virtudes capitais

O termo capital é derivado do latim e faz referência à cabeça. Os pecados e as virtudes capitais foram assim denominados, pois eles são a “cabeça” ou a fonte de outros pecados e virtudes.

Quando transgredimos a Lei de Deus, estamos caindo em pecado. Você já aprendeu aqui, que eles podem ser mortais ou veniais, conforme a gravidade e o nível de consciência da pessoa que o cometeu. Dentre os pecados, temos sete que são considerados capitais: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.

Para combatê-los, temos uma espécie de remédio: as virtudes, que são disposições habituais e firmes que temos para fazer o bem. Ou seja, tudo aquilo que conscientemente procuramos fazer para espalhar o bem. As virtudes capitais são: humildade, generosidade, castidade, paciência, temperança, caridade e diligência.

Você sabe exatamente o que são cada um desses pecados e virtudes capitais? Preparamos um guia para você compreender direitinho o assunto e aplicar na sua vida!

SOBERBA X HUMILDADE

A soberba é o pior de todos os pecados. Foi o que fez os anjos maus a se rebelarem contra Deus e também levou Adão e Eva ao pecado original. Ao praticá-la, a pessoa se esquece de que ela é apenas uma criatura e que d’Ele depende, querendo igualar-se ao Senhor, sendo auto-suficiente. Da soberba nascem muitos outros pecados, como a vaidade, a arrogância, a prepotência, a vanglória, o egocentrismo, entre outros.

Contraponto da soberba, a humildade é uma grande virtude. Temos em Jesus Cristo o nosso maior exemplo de humildade! Aquele que é humilde assume-se menor do que os outros, não hesita em servir os irmãos, aprende com os exemplos das pessoas próximas, assume seus próprios erros e, principalmente, sabe que toda vida depende de Deus.

AVAREZA X GENEROSIDADE

O desejo desordenado pelo dinheiro e pelos bens materiais é uma das características da avareza. A necessidade de acumular e juntar coisas nos leva ao culto do dinheiro e da riqueza, nos fazendo escravos dela. Ter dinheiro não é pecado, mas fazê-lo dele um deus, sim. No sermão da Montanha, Jesus foi claro sobre o apego ao material: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.” (Mt 6,24).

A generosidade, ao contrário, é o despojamento dos bens materiais, quando entendemos que eles servem para ajudar os que necessitam. Não estamos falando de nos desfazer de tudo o que temos, mas de usar corretamente o dinheiro, não negando auxílio àqueles que possuem menos do que nós. Deus é generoso com seus filhos e espera que sejamos também com nossos irmãos.

LUXÚRIA X CASTIDADE

A luxúria se caracteriza pela erotização e pelo mul uso da sexualidade. Da mesma forma como Deus deu sabor aos alimentos para que o prazer de comer nos mantivesse vivos, Ele nos concedeu o prazer sexual, para que, dentro do matrimônio, possamos gerar filhos. Com a excessiva exposição erótica em filmes, revistas, na internet, na moda e até em shows musicais, aos poucos a luxúria vai corrompendo muitas pessoas, que deixam de lado o preceito de que nosso corpo é membro de Cristo e, portanto, deve ser cuidado, amado e protegido.

Já a castidade, que está entre os Dez Mandamentos, prevê o respeito ao corpo – tanto o nosso quanto o do outro. A partir dela, a sexualidade deve ser orientada pelo amor e ter como finalidade a geração da vida. Para viver a pureza, é preciso estar vigilante, consciente das tentações e adotar uma escolha convicta pelo caminho do bem.

IRA X PACIÊNCIA

A autodefesa e a proteção são próprias do instinto humano. Mas quando se exacerbam de forma desordenada, se transformam no pecado da ira – uma reação violenta que acontece, em geral, quando somos contrariados, seja física ou moralmente. Muitas vezes, ela está atrelada ao sentimento de vingança, ao rancor e ao ódio e pode gerar brigas, traições e até assassinatos.

Para combater a ira, devemos usar a paciência, assim como Jesus fazia: “Eu sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Ele próprio Jesus nos ensinou a não pagar o mal com mal, mas, ao contrário, com o bem! O que precisamos para derrotar o outro não é a disputa ou a revanche, mas o perdão. A paciência é fundamental para alcançar a paz, pois o manso não se perturba facilmente, é atencioso e compreensivo.

GULA X TEMPERANÇA

Alimentar-se é fundamental para sobreviver. Até podemos beber e comer com gosto, mas, quando o prazer de comer se torna um fim em si mesmo, aí temos o pecado da gula. Embora muita gente a encare como um pecado menor, ela é um pecado capital, pois é capaz de desencadear muitos outros, como a preguiça, a impureza, a desobediência, a dureza de coração…

Para combatê-la, nada melhor do que a temperança, que nos leva ao equilíbrio, evitando os excessos típicos da gula. Para alcançá-la, uma boa maneira é o jejum, que, através da privação, nos ensina que não podemos nos deixar dominar pelos prazeres da carne.

INVEJA X CARIDADE

Foi por causa da inveja que o demônio tentou Adão e Eva e também foi motivado por ela que Caim matou seu irmão Abel. Desde sempre, este pecado capital provoca a humanidade e foi um dos motores da morte de Cristo: “Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: “Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?”. (Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.)” (Mt 27, 17-18). Ela é a conselheira daquele que não aguenta ver o sucesso do outro ou perceber que alguém pode fazer algo melhor do que ele próprio e dá origem a maledicências, calúnias, rivalidade, fofocas, entre tantos outros males.

A caridade é um eficiente remédio para a inveja. Precisamos aprender que a felicidade do outro é mais um motivo para nos sentirmos felizes – e não uma causa da nossa insatisfação. A caridade vem do amor de Deus e nos ensina a sermos bons com os semelhantes. Precisamos nutrir bons sentimentos pelos irmãos, desejar o bem dos demais, buscar fazer o bem aos outros.

PREGUIÇA X DILIGÊNCIA

Após o pecado original, Deus sentenciou a Adão: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado” (Gênesis 3, 19). Assim, o Senhor dignificou o trabalho e condenou a preguiça, que nos leva à omissão, o desleixo e até o enfraquecimento espiritual.

Para nos mostrar o valor do trabalho, Jesus trabalhou arduamente ao lado do pai adotivo. E assumiu a função simples de carpinteiro, para nos ensinar que qualquer trabalho é digno e importante. A diligência na execução das tarefas é uma ferramenta eficaz para afastar a preguiça. Faça com presteza, ânimo e garra tudo aquilo que lhe for confiado!