Notre-Dame: um tesouro católico e histórico

Atingida ontem (15/04) por um incêndio de grandes proporções, a Catedral de Notre-Dame, localizada numa pequena ilha no Centro de Paris, é um dos mais importantes templos católicos da França e também um dos monumentos históricos mais visitados do mundo. O prédio, em estilo gótico, levou quase 200 anos para ser construído e foi concluído em 1345. Como o nome indica ( o termo francês “Notre-Dame” significa “Nossa Senhora), a catedral é dedicada à Virgem Maria.

Além de sua inegável importância histórica, o templo possui um valor especial para os católicos. A catedral abrigava símbolos notáveis do cristianismo, como pedaços da coroa de espinhos e da cruz de Jesus Cristo. Sua fachada é decorada com estátuas que reproduzem cenas bíblicas, como o portal central, que retrata o julgamento e a ressurreição dos mortos, e o portal da Virgem, que remete à Anunciação e também à morte e à ascensão de Maria ao céu. Entre esculturas e vitrais, Notre-Dame conta com 37 representações da mãe de Jesus.

Foi na Catedral de Notre-Dame que Joana D’Arc foi beatificada pelo papa Pio X. Ainda bem jovem e sem nenhum conhecimento de estratégias militares, a padroeira da França liderou soldados franceses em diversas batalhas que libertaram o país das mãos dos ingleses. Joana lançou-se nesta missão após ter visões do Arcanjo Miguel e das santas Catarina e Margarida. Ao ser capturada por inimigos, negou-se a desmentir as aparições e a missão divina que havia recebido. Por isso, foi torturada, condenada como feiticeira, blasfema e herege. Em 1434, foi queimada viva em praça pública.

A Catedral de Notre-Dame foi palco de diversos outros episódios históricos, como a coroação do rei Henrique VI, em 1431, durante a Guerra dos Cem Anos, e também de Napoleão Bonaparte em 1804. Durante a Revolução Francesa, quando os cultos foram interrompidos, Notre-Dame serviu como armazém de alimentos. Nesta época foi invadida e saqueada, perdendo boa parte de seu tesouro litúrgico. Já durante a Segunda Guerra Mundial, os vitrais e rosáceas – que representam as flores do paraíso e trazem imagens de Cristo, de Santa Maria, de santos e reis – foram removidos, a fim de preservá-los da destruição, e só foram reinstalados após o final do conflito.

O templo, que inspirou o livro “O Corcunda de Notre-Dame”, de Victor Hugo, é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1991. Com capacidade para acolher 9 mil fiéis, Notre-Dame recebe anualmente mais de 13 milhões de visitantes.

Felizmente, as relíquias foram salvas pelo capelão do Corpo de Bombeiros, Padre Fournier, que num ato heróico, arriscou a própria vida e resgatou do incêndio peças de suma importância aos fieis Catolicos.
A Santa Sé e o papa Francisco expressaram pesar com o incêndio da catedral. Em seu Twitter, o pontífice declarou: “Hoje nos unimos em oração com o povo francês, enquanto aguardamos que a dor pelo grave dano se transforme em esperança com a reconstrução. Santa Maria, Nossa Senhora, rogai por nós”.