Centenário de falecimento de São Francisco Marto

Hoje, completam-se 100 anos da morte do pequeno Francisco Marto, um dos três pastorinhos a testemunhar as aparições de Nossa Senhora em Fátima. O menino, nascido numa pequena aldeia portuguesa chamada Aljustrel em 1908, morreu com apenas dez anos e tornou-se santo em 2017, deixando um legado ímpar de contemplação e oração.

Ao lado da irmã Jacinta e da prima Lúcia, Francisco foi presenteado com as aparições do Anjo da Paz em 2016 e da Virgem Maria no ano seguinte. Ele, que apenas via as aparições, sem poder ouvir nem falar com elas, recebia por intermédio das duas meninas as mensagens deixadas pela Mãe de Deus. Francisco foi impactado de tal forma pela intensidade e beleza das aparições que adotou, de imediato, uma postura fervorosa de meditação e contemplação. Disse após a primeira aparição: “Gosto tanto de Deus! Mas Ele está tão triste, por causa de tantos pecados!” (Memórias da Irmã Lúcia, pág. 141). Preocupado em agradar o coração de Jesus, tão machucado e ultrajado, o menino dedicava longas horas a orações silenciosas, quase sempre sozinho, afastado até mesmo dos familiares – desejava sobretudo consolar Cristo, correspondendo ao amor divino.

Sobre ele, Lúcia conta:

“Contamos, em seguida, ao Francisco, tudo quanto Nossa Senhora tinha dito. E ele, manifestando o contentamento que sentia, na promessa de ir para o Céu, cruzando as mãos sobre o peito, dizia:
– Ó minha Nossa Senhora, terços, rezo todos quantos Vós quiserdes.
E, desde aí, tomou o costume de se afastar de nós, como que passeando; e se chamava por ele e Ihe perguntava que andava a fazer, levantava o braço e mostrava-me o terço. Se Ihe dizia que viesse brincar, que depois rezava conosco, respondia:
– Depois também rezo. Não te lembras que Nossa Senhora disse que tinha de rezar muitos terços?” (Memórias da Irmã Lúcia, pág. 141).

Sempre extasiado com a luz que emanava de Nossa Senhora, apaixonou-se por sua presença e ansiava constantemente por suas visitas e por ao lado dela estar após a sua morte. Comovido com os pedidos da Mãe Santíssima, Francisco mostrou-se resiliente e resignado diante das dificuldades e dos sacrifícios, fossem eles físicos ou espirituais. Mesmo quando já estava abatido pela gripe espanhola, da qual viria a morrer, Francisco demonstrou firmeza e tranquilidade incomuns, oferecendo todo sacrifício pelas almas dos pecadores:

“Na sua doença, sofria com uma paciência heróica, sem nunca deixar escapar um gemido, nem a mais leve queixa. Perguntei-lhe, um dia, pouco antes dele morrer:
– Francisco, sofres muito?
– Sim; mas sofro tudo por amor de Nosso Senhor e de Nossa Senhora” (Memórias da Irmã Lúcia, págs. 109 e 110).

No dia 02 de abril de 1919, Francisco confessou-se e recebeu pela única vez a comunhão e veio a falecer dois dias depois, em casa e de forma tranquila. Foi canonizado a 13 de maio de 2017 pelo papa Francisco em celebração no Santuário de Fátima, onde repousam seus restos mortais.