Treinando o espírito

Na Cova da Iria, Nossa Senhora de Fátima recomendou os sacrifícios como forma de converter e salvar os pecadores. Mas a prática do sacrifício, que tanto assusta algumas pessoas, precisa ser incorporada aos poucos, suavemente. Assim como nosso corpo, nosso espírito também precisa de treinamento e alongamento.

Antes de tudo, precisamos entender que o sacrifício pressupõe amor. Ninguém se sacrifica a não ser que haja muito amor envolvido. Assim como pais se sacrificam por filhos e enamorados por seus parceiros, nós podemos – e devemos – nos sacrificar por amor a Deus.

Nesse sentido, temos muito a aprender com Jacinta, Francisco e Lúcia: três crianças que, transbordando de amor por Nosso Senhor, cresceram enormemente na vida de sacrifício!

“Brincávamos, um dia, sobre o poço já mencionado. A mãe da Jacinta tinha ali uma vinha pegada. Cortou alguns cachos e veio trazer-no-los, para que os comêssemos. Mas a Jacinta não esquecia nunca os seus pecadores.
– Não os comemos – dizia ela – e oferecemos este sacrifício pelos pecadores.
Depois, correu a levar as uvas às outras crianças que brincavam na rua. À volta, vinha radiante de alegria; tinha encontrado os nossos antigos pobrezinhos e tinha-lhas dado a eles.” (Memórias da Irmã Lúcia, pág. 57).

Seja doando sua própria comida, alimentando-se de frutas verdes e amargas, suportando difamações ou até mesmo as dores do corpo, os pastorinhos foram exemplo íntegro de sofrimento por amor.

Ninguém precisa isolar-se de seu mundo para praticar a santidade e os sacrifícios. E nem deve! A prática da penitência se desenvolve no dia a dia, nas coisas cotidianas: respirando fundo após uma extenuante briga e saindo calmamente em vez de batendo portas; levantando imediatamente quando o despertador toca às cinco da manhã em vez de dormir mais cinco minutinhos; suportando os longos e penosos engarrafamentos após um dia cansativo de trabalho; fazendo com alegria a faxina da casa no final de semana; cuidando dos sobrinhos mesmo quando tinha uma ótima festa para ir. São situações corriqueiras pelas quais qualquer um de nós pode passar, mas que podem funcionar como um treinamento.

Como na ginástica, quanto mais praticamos o sacrifício, mais fácil e menos doloroso ele vai ficando. Dia após dia, vamos nos dedicando a penitências maiores e mais intensas, sem que isso seja sofrido. E igualmente vamos crescendo na maturidade da nossa relação com o Pai e na colaboração desse lindo projeto de construção do Reino de Deus!