Jejuar vale a pena!

O jejum é uma prática muito antiga – no Velho Testamento, por exemplo, já se fazia menção a ela – e, por isso mesmo, é considerada por muitos arcaica e antiquada. Mas, como prática do tripé de preparação da Quaresma (junto da oração e da caridade), ela segue sendo importantíssima para o cristão, afinal é um remédio valioso contra o pecado.

Tradicionalmente, o jejum refere-se à privação total ou parcial de alimentos e de bebidas. Mas, se pensarmos em seu propósito, que é fortalecer a alma contra as tentações da carne e do espírito, também é válido o jejum de outras coisas, como práticas que nos dão grande prazer, como assistir a séries de TV, ir à praia, jogar videogame, etc. O que vale é o esforço para manter-se afastado daquilo de que se gosta ou de que se precisa. Assim, a prática de jejuar nos ensina o valor da renúncia.

O jejum também nos ajuda a lembrar que acabamos escravos do prazer momentâneo. Comemos não apenas para saciar a fome, bebemos não somente para acabar com a sede e compramos não apenas para sanar nossas necessidades básicas. Buscamos, através de todas estas coisas, um excesso de sensações e uma excitação que leva ao êxtase. Mas, passado este momento, só nos resta o vazio, pois é só Deus que nos satisfaz plenamente. Através do jejum, aprendemos a nos libertar da escravidão do corpo: quem manda em nós não é o corpo, mas o espírito!

Na Quaresma, o jejum também é uma forma de experimentarmos o sofrimento de Cristo, que foi preso, torturado, coroado com espinhos e crucificado. Abre caminho para um encontro mais verdadeiro com Deus, para o arrependimento dos pecados e para uma conversão sincera.

Se você está desestimulado e pensa em desistir de jejuar, anime-se! Se, por algum motivo, acabou abandonando o jejum, retome-o! Há tanto valor na renúncia e no sacrifício! Há tanta liberdade e luz esperando por você. Já, já você encontrará Cristo ressuscitado e sentirá a intensidade dessa vida plena que nos proporciona o amor de Deus.