Qual a diferença entre pecado mortal e pecado venial?

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica o pecado é “uma palavra, um ato ou um desejo contrário à lei eterna” (CIC § 1849). Mas é claro que nem todos os pecados são iguais. Há aqueles mais graves e também outros mais leves. Aí reside a principal diferença entre os pecados veniais e os mortais.

Todo pecado rompe ou, no mínimo, fragiliza nossa relação com Nosso Senhor e com nossos irmãos. Ao infringir as leis de Deus, nos afastamos d’Ele e, consequentemente, de sua graça santificante. E, quando mais longes de Deus e da Vida Eterna, mais perto ficamos do Inferno.

Tomando como exemplo uma pessoa que cometeu um assassinato e outra que mentiu aos pais, negando ter feito uma compra que de fato havia feito. Os dois são pecadores, mas não na mesma medida. É claro que tirar a vida de alguém é algo muito mais grave do que mentir. Por isso, o primeiro caso seria um pecado mortal e o segundo, venial.

Como o próprio nome indica, o pecado mortal está sempre relacionado a algo grave. E para sê-lo considerado como tal, é preciso que o pecador o tenha cometido de forma consciente e por vontade própria, ou seja, é preciso saber e querer fazer algo que atente seriamente contra o que nos pregam os Dez Mandamentos. Como pela graça temos a antecipação da Vida Eterna, inversamente pelo pecado mortal temos uma espécie de antecipação da morte eterna, já que Deus não está mais dentro de nós. Neste caso, o pecador não pode receber a Eucaristia enquanto permanecer no pecado e só pode ser perdoado por meio do Sacramento da Confissão.

Já o pecado venial não nos priva da graça de Deus nem nos condena ao Inferno, mas nos afasta do caminho desenhado para nós por Ele. Atenta de algum modo contra os mandamentos, mas não de maneira grave. Pensar, querer, dizer, fazer ou até omitir coisas podem ser considerados pecados leves se estiverem nos afastando do Pai. Estes pecados podem ser perdoados através do arrependimento sincero, inclusive no Ato Penitencial durante a missa, ou até mesmo por meio de oração e atitudes caridosas.

A grande armadilha do pecado venial é que ele vai minando nossos valores e relaxando nossa consciência. Pequenos pecados vão nos levando a pecados cada vez mais graves, sem percebermos que isto está acontecendo. Por isso, o ideal é seguirmos o conselho de Cristo: “Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). É claro que vamos fraquejar no caminho, mas Deus, como um pai amoroso, jamais vai deixar de nos estender a mão para nos ajudar a levantar se perceber em nós uma vontade sincera de acertar.