Os pequenos sacrifícios

Em nosso dia a dia, costumamos nos entregar a uma espiral descendente: não doo o meu tempo em prol dos irmãos, não pago o dízimo, não empresto meus bens, não tenho tempo para rezar… Queremos muito, mas ofertamos quase nada. Esta espiral negativa não nos ajuda na vida da graça, não nos aproxima de Deus. Ao contrário, o egoísmo – seja ele material ou espiritual – nos empobrece e vai, pouco a pouco, nos tirando o que há de mais precioso: a presença do Pai.

Outro dia, falei aqui sobre São Josemaria Escrivá, um sacerdote espanhol canonizado em 2002 e que nos deixou muitas valiosas reflexões. Segundo ele, a vida do cristão é feita de entrega e amor (a Deus e aos irmãos) e ambos conseguimos por meio do sacrifício.

Quando pensamos em sacrifício, costumamos pensamos em algo ruim. Mas, ao contrário, os sacrifícios podem ser leves se o fizermos com o coração aberto, com a alma dedicada a um propósito maior que é a obra de Deus.

Em uma de suas homilias, citadas no livro É Cristo que passa, Escrivá disse: “A mortificação é o sal da nossa vida. E a melhor mortificação é a que combate – em pequenos detalhes, durante o dia todo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Mortificações que não mortifiquem os outros, que nos tornem mais delicados, mais compreensivos, mais abertos a todos. Não seremos mortificados se formos suscetíveis, se estivermos preocupados apenas com os nossos egoísmos, se esmagarmos os outros, se não nos soubermos privar do supérfluo e, às vezes, do necessário; se nos entristecermos quando as coisas não correm como tínhamos previsto. Pelo contrário, seremos mortificados se nos soubermos fazer tudo para todos, para salvar a todos”.

Como ele mostra, nem sempre precisamos de grandes sacrifícios, mas sempre precisamos de sacrifícios sinceros, vigilantes e caridosos. Devemos nos doar por Deus e pelos irmãos nos atos do dia a dia, dedicando tempo para a oração, sendo solidários, generosos e íntegros, cuidando do próximo com verdadeira compaixão, fazendo nossos trabalhos com retidão. Se fizermos isso, entraremos numa espiral ascendente, que enche nossa vida de graça e na qual a presença de Deus é abundante.

O sacrifício – ou a mortificação, como chamava Escrivá –, não é ruim. É através dos pequenos sacrifícios que podemos nos aproximar do Pai e aproveitar, plenamente, o Seu dadivoso amor! Então, aproveite os sacrifícios que naturalmente aparecem no seu dia a dia e deixe que eles te lancem cada vez mais para perto de Jesus.