21 de Março: Dia da Evocação da Aparição do Anjo

Hoje celebram-se os 103 anos das aparições do Anjo de Portugal. Por três vezes, a figura branca apareceu na região da Cova da Iria aos pastorinhos antes das visitas de Nossa Senhora aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco, abrindo caminho e preparando as três crianças para a chegada da Virgem Santíssima e para a missão que Ela os confiaria.

Primeira Aparição
Ocorrida na Loca do Cabeço, uma gruta na região da Cova da Iria, a primeira aparição deu-se em uma data no final da primavera ou no início do verão de 1916. O anjo veio munido de ternura e beleza, trazendo um pedido muito especial:
Alguns momentos havia que jogávamos, e eis que um vento forte sacode as árvores e faz-nos levantar a vista para ver o que (se) passava, pois o dia estava sereno. Vemos, então, que sobre o olival se encaminha para nós a tal figura de que já falei. A Jacinta e o Francisco ainda nunca a tinham visto, nem eu Ihes havia falado nela. À maneira que se aproximava, íamos divisando as feições: um jovem dos seus 14 a 15 anos, mais branco que se fora de neve, que o sol tornava transparente como se fora de cristal e duma grande beleza. Ao chegar junto de nós, disse:
– Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.
E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras:
– Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e Vos não amam.
Depois, erguendo-se, disse:
– Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.
As suas palavras gravaram-se de tal forma na nossa mente, que jamais nos esqueceram.”
(Memórias da Irmã Lúcia, pág 77).

Segunda Aparição
Algum tempo depois, o Anjo voltou a aparecer às crianças enquanto elas brincavam junto à casa dos pais de Lúcia. Nesse momento, ele lhes pede o que Nossa Senhora também pedirá mais tarde: o sacrifício pela salvação dos pecadores:
“Fomos, pois passar as horas da sesta à sombra das árvores que cercavam o poço já várias vezes mencionado. De repente, vimos o mesmo Anjo junto de nós.
– Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.
– Como nos havemos de sacrificar? – perguntei.
– De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.
Estas palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifício e como ele Lhe era agradável, como, por atenção a ele, convertia os pecadores. Por isso, desde esse momento, começamos a oferecer ao Senhor tudo que nos mortificava, mas sem discorrermos a procurar outras mortificações ou penitências, excepto a de passarmos horas seguidas prostrados por terra, repetindo a oração que o Anjo nos tinha ensinado”.
(Memórias da Irmã Lúcia, pág 170)

Terceira Aparição
Já no fim do verão ou no início do outono de 1916, o Anjo voltou à loca dos Cabaços, oferecendo aos pastorinhos o Corpo e o Sangue de Cristo:
“Logo que aí chegámos, de joelhos, com os rostos em terra, começámos a repetir a oração do Anjo: Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos, etc. Não sei quantas vezes tínhamos repetido esta oração, quando vemos que sobre nós brilha uma luz desconhecida. Erguemo-nos para ver o que se passava e vemos o Anjo, tendo em a mão esquerda um Cálix, sobre o qual está suspensa uma Hóstia, da qual caem algumas gotas de Sangue dentro do Cálix. O Anjo deixa suspenso no ar o Cálix, ajoelha junto de nós, e faz-nos repetir três vezes:
– Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, (adoro-Vos profundamente e) ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
Depois levanta-se, toma em suas mãos o Cálix e a Hóstia. Dá-me a Sagrada Hóstia a mim e o Sangue do Cálix divide-O pela Jacinta e o Francisco, dizendo ao mesmo tempo:
– Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.
E prostrando-se de novo em terra, repetiu connosco outras três vezes a mesma oração: Santíssima Trindade… etc., e desapareceu”.
(Memórias da Irmã Lúcia, págs 78 e 79)

Essas três aparições foram precedidas por outras três visões, ocorridas em 1915, quando Lúcia não estava em companhia dos primos, mas de outras meninas, chamadas Maria Rosa Matias, Teresa Matias e Maria Justino. Em sua Segunda Memória, Lucia conta sobre a chegada da imagem etérea e suave: “Subimos, com os nossos rebanhos, até quase ao cimo do monte. […] Um pouco mais ou menos aí pelo meio-dia, comemos a nossa merenda e, depois dela, convidei as minhas companheiras para rezarem comigo o Terço, ao que elas anuíram com gosto. Mal tínhamos começado, quando, diante de nossos olhos, vemos, como que suspensa no ar, sobre o arvoredo, uma figura como se fosse uma estátua de neve que os raios do sol tornavam algo transparente”.

O anjo foi, sem dúvida, um sinal singelo e delicado que Deus enviou às crianças para preparar seus corações. Mas deixou a todos nós um legado de fé e oração.