Criando filhos únicos

Há quem diga que todo filho único é mimado. Mas isso não é verdade. Veja exemplo de Jesus Cristo! Ao contrário de ser uma pessoa que queria tudo para si e que tinha todos os seus desejos atendidos, ele deu seu bem maior – a sua própria vida – por todos nós. E será que, mirando o seu modelo, é possível hoje educar filhos únicos independentes, altruístas e solidários? Claro que sim! Separamos cinco dicas para ajudar você nessa missão.

Sem irmãos por perto, filhos únicos tendem a passar muito mais tempo com adultos do que com outras crianças. Isso faz com que aprendam e amadureçam mais rápido, tenham grande autoconfiança e se sintam bastante valorizados e queridos, já que desfrutam da atenção exclusiva dos pais. No entanto, esta situação também tem efeitos colaterais. Crianças que não têm irmãos costumam ser mais mimadas, mais egoístas e mais difíceis de satisfazer.

Para que isto não aconteça, há algumas coisas que você pode fazer pelo seu filho:

1. Faça-o conviver com outras crianças.
Seja na escola, no parque ou na própria família, é preciso que o pequeno tenha contato com outras crianças, especialmente da sua faixa etária. Isto é importante não apenas para ele aprender a dividir e compartilhar, mas também para aprender a lidar com sentimentos como rivalidade, inveja e medo. É na convivência com os semelhantes que enriquecemos as nossas percepções e começamos a respeitar as diferenças, um verdadeiro princípio cristão.

2. Não interfira nas disputadas do seu filho e não resolva os problemas por ele.
Para ganhar autonomia, ele precisa resolver as coisas sozinho – seja uma briga com um coleguinha para ver quem usará o brinquedo primeiro, seja uma dificuldade na hora da brincadeira. Se ele solicitar ajuda, você pode até orientá-lo, de modo que ele próprio possa encontrar as soluções. Sempre precisamos estar disponíveis para guiar os filhos, como Nosso Senhor faz conosco, mas jamais faça as coisas por ele!

3. Deixe que ele se frustre.
Se tudo for fácil demais, seu filho não dará valor a nada. Por isso, é importante deixá-lo passar por frustrações. Ele precisa cair e se machucar, precisa se desentender com os amigos, precisa deixar de ganhar um presente muito esperado se não é uma data festiva. Da mesma forma, não dê tudo o que ele pede. A criança precisa sentir falta das coisas e entender que muitas vezes é difícil consegui-las, para que tenha força de vontade de correr atrás. Apesar da tendência que todos nós temos de superproteger nossos filhos par
a que eles não sofram, a frustração é importante para o amadurecimento emocional e espiritual e para o desenvolvimento da resiliência.

4. Incentive a empatia e a solidariedade.
Para equilibrar o excesso de atenção que o filho único recebe dos adultos, é fundamental ensiná-lo a se colocar no lugar dos outros: dos pais, dos amigos, dos necessitados, dos doentes. Sempre que possível, incentive a criança a ver o mundo com os olhos do outro. A empatia é um ótimo caminho para a solidariedade.

5. Ame sem medida e ensine-o a amar.
Disse Jesus: “o meu mandamento é este: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12). Para vivermos bem, todos nós – crianças e adultos, jovens e velhos – precisamos de amor. Assim como Deus faz por nós, devemos nós fazer pelos nossos filhos e ensiná-los a fazer com os semelhantes: devemos ser fonte de amor, para ajudar e iluminar os outros.