A escravidão do apego aos bens materiais

Não há nada de errado em ter bens materiais. Querer prosperar é digno e legítimo. Como está dito no livro de Eclesiastes: “Se Deus dá ao homem bens e riquezas, e lhe concede delas comer e delas tomar sua parte, e se alegrar no seu trabalho, isso é um dom de Deus (Ecle 5, 18)”. O problema é quando a acumulação se transforma em apego. Deixamos, então, de ter domínio sobre o dinheiro e passamos a ser dominados por ele.

Ao longo da vida, tendemos a ficar cada vez apegados às nossas coisas: uma roupa nova que desejei por muito tempo, um carro que sempre sonhei em comprar e consegui após juntar muito dinheiro, móveis novos para a casa. E, mesmo quando estes objetos já não nos servem mais, temos dificuldade de nos desapegar deles. Por que manter no armário uma calça antiga, mesmo depois de ter emagrecido 10 quilos? Por que não doar os móveis que você não usa mais? Por que manter no fundo do armário um monte de coisa que já não tem mais serventia para você?

A avareza, um dos sete pecados capitais, nasce do egoísmo e da ganância: querer ter demais e usar ou guardar somente para si. Toda a nobreza do esforço do trabalho morre se não pudermos usar os bens alcançados em prol de nós mesmos e, principalmente, dos outros. Tudo aquilo que conquistamos nos é dado por Deus e, por isso, deve sempre ser colocado a serviço dos demais.

A calça que não me cabe mais pode servir em outra pessoa e os móveis que não são mais adequados à minha casa podem ser extremamente úteis no lar de outra família. A caridade é a virtude que nos livra da avareza. Todo o dinheiro, toda a riqueza, todos os bens materiais só têm verdadeiro valor se puderem ter um fim nobre, se puderem efetivamente ajudar alguém. Um dos grandes ensinamentos de Cristo foi a partilha. Dividir e ajudar são parte da caridade, que deve estar presente em cada dia das nossas vidas.