Início da Quaresma

A palavra “Quaresma” tem origem no termo latino “Quadragésima”, referindo-se ao 40º dia antes da Páscoa. Foi adotada para designar os 40 dias que antecedem a festa que culmina com a Ressurreição de Cristo, período em que nós católicos nos preparamos para a mais importante data do nosso calendário litúrgico. Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na Quarta-feira Santa, somos chamados a viver um tempo de reflexão, conversão e penitência.

Sempre tendo em vista a Palavra de Deus e a mensagem de Cristo presente nos Evangelhos, devemos, especialmente neste período, confrontar nossa vida – aquilo que somos e fazemos no dia a dia – com os ensinamentos de Jesus. É um tempo para nos arrependermos dos nossos pecados e buscarmos a mudança, a fim de vivermos mais próximos do Senhor. É o momento para, através do sacrifício, sentirmos mais claramente as dores sofridas por Jesus e compreendermos a dimensão do Seu esforço para nos salvar.

Por isso, como reforçou o papa Francisco em sua mensagem para a Quaresma 2019, devemos nos dedicar a três coisas durante este tempo: jejum, oração e esmola. “Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de ‘devorar’ tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos”, destacou o Santo Padre.

O jejum é uma antiga prática de penitência cujo objetivo é nos redirecionar para Deus. Todos nós cometemos pecados e, através da privação, almejamos a purificação e a mudança. Engana-se quem acha que jejuar é passar fome. É possível, sim, fazer o jejum tradicional, que permite o café da manhã e elimina as demais refeições, que devem ser substituídas por líquidos diversos ou por pão e água. Mas há também a possibilidade de privar-se de algo que você realmente gosta e que lhe fará muita falta, como doces e café. Entendendo o jejum como um sacrifício, você pode também fazer um jejum que não seja alimentar, afastando-se de atividades que lhe dão muito prazer, como assistir televisão, por exemplo. O importante é que o ato de jejuar leve você a refletir sobre o sacrifício de Cristo e seja um caminho de conversão.

Já a esmola não deve ser entendida somente como o auxílio financeiro, embora ele seja necessário e muito bem-vindo (e não apenas nesta época do ano). Como destacou o papa Francisco: “voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora”.