Irmã Lúcia: vida dedicada à mensagem de Nossa Senhora de Fátima

Hoje completam-se 14 anos da morte da Irmã Lúcia dos Santos, uma das três pessoas que, na infância, presenciaram as aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, em Portugal, no ano de 1917. Lúcia foi a mais longeva dos três pastorinhos – seus primos Francisco e Jacinta falaceram ainda crianças – e dedicou toda a sua vida a Deus e aos pedidos feitos pela Virgem em Fátima.

Quando pequena, Lúcia era a única dos três que conseguia conversar com Nossa Senhora. Jacinta apenas a via e ouvia e Francisco somente via a Maria. Nascida em 1907 em Aljustrel, uma vila da região do Alentejo, Lúcia foi profundamente fiel à missão de difundir os pedidos de Nossa Senhora e a devoção ao Coração Imaculado de Maria. Ao longo de seus quase 98 anos, recebeu ainda outras visitas da Mãe Santíssima, um grande auxílio para continuar sua caminhada com fé e lealdade.

Ao passo que crescia em popularidade a capelinha erguida no local em que a Virgem se fez presente, Lúcia aumentava seu isolamento. Ela, que tinha ingressado na Congregação de Santa Doroteia aos 15 anos, entrou para o Convento Carmelo de Coimbra em 1948, onde se entregou mais profundamente à oração e ao sacrifício. Lá, adotou o nome de Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado.

Lúcia sofreu intensamente com a desconfiança e descrença, inicialmente de seus próprios pais, que não acreditavam serem verdadeiras as aparições e chegaram a dizer que a menina estava mentindo, mas também da hierarquia católica e de muitos fiéis, que viam com ceticismo as suas declarações e testemunhos. Mesmo após o então bispo de Leiria ter atestado, em 1930, serem verdadeiras as aparições, os questionamentos sobre sua veracidade persistiam. Sofreu ataques e teve sua privacidade invadida por jornalistas e curiosos. Mas ela não se abalava, e via nas dificuldades um sinal de Deus para perseverar na salvação dos pecadores e no desagravo ao coração de Maria.

Muitos não sabem, mas como parte de sua missão, a religiosa assumiu o ministério epistolar, tendo recebido milhares de cartas de todas as partes do planeta. Lúcia, ajudada por tradutores, leu todas elas, rezando por seus remetentes, fazendo-se instrumento para espalhar a misericórdia de Deus no mundo. Em sua grandeza, usou do silêncio, do sacrifício e da simplicidade para espalhar a mensagem de Fátima.

Em 2008, foi aberto o processo de beatificação e canonização da irmã Lúcia. A fase diocesana do processo foi concluída no ano passado, seguindo então para a competência do Papa Francisco.